Júlia Kendall

Aparentemente o blog chegou aos sofríveis 40 posts, depois de mais de um ano de criação. Fico feliz com isso, acho que é a primeira vez que consigo fazer 40 posts em tão pouco tempo. (Produção bem devagar mode on).
Meu interesse por J. Kendall, revista em quadrinhos, do universo Bonelli ( o mesmo de Tex, Mágico Vento, Zagor, etc ) é explicado pelo fato de eu ser um grande fã da psicologia criminal, sempre gostei de ler sobre o assunto, estudar assassinos, a motivação pela violencia e a origem da loucura que acompanha grande parte dos assassinos seriais e criminosos, dentre minha leitura recomendada está Enciclopédia do Serial Killers, Serial Killers Made in Brazil, Serial Killer Louco ou Cruel? E Mentes Criminosas, também nas obras ficcionais com o Criminologo ( e não detetive ) Hercule Poirt, Sherlock Holmes, algumas histórias de Edgar Allan Poe, e para pular para algo mais recente, Os Homens que não amavam as mulheres, triologia Millenium do Sueco Stieg Larsson.

Julia não tem origem em nenhuma série ou filme, mas a influencia de atores e atrizes no aspecto fisico dos personagens é visivel, temos por exemplo uma inclivel semelhança da Audrey Hepburn para Julia, uma whoopi goldberg como sua governanta, um John Malcovich como tenente da policia, e por aí vai… enfim, é vasto o time de “atores” emprestando o rosto para os personagens do fumetti, criada por Giancarlo Berardi, ilustre criador também de outro personagem marcante: Ken parker, ambos da Sergio Bonelli Editore, mas enquanto Ken Parker ainda seguiu a linha bem conhecida na editora de Cowboys, Julia parte para os tempos atuais, na qual a personagem titulo é uma professora de criminologia e prestadora de serviços para a policia de Garden City, muito perspicaz e inteligente, cada edição traz uma historia fechada, com 134 páginas, formato pequeno e em preto e branco, um formato eternizado pela Mythos e outras editoras principalmente nos anos 80 e 90, porém o que mais chama atenção em suas historias é o intricado roteiro de Giancarlo Berardi, que a cada edição consegue mostrar o cotidiano da criminologa sem cair na mesmice, sem apelar, sem enrolar e sempre surpreendendo, pois ela por ser uma criminologa, apesar do que citei no inicio do post, nao cabe apenas a assassinos seriais, como tambem a resolver crimes, assaltos, sequestros, máfia, pessoas que apenas resolvem desaparecer e deixar a familia, e em uma das melhores historias até aqui, flertando com o sobrenatural, julia enfrenta xamãs em sua forma fisica e empirica. Em entrevista ao Universohq, Giancarlo Berardi disse que anos antes da personagem ser publicada, ja havia começado a tecer as caracteristicas essenciais dela no papel:
Frequentava cursos de criminologia, lia muitos livros teóricos e ficticios, cursos de analiser compornamental, filmes, documentarios, etc. Só após cerca de 4 anos estudando e se tornando um expert no assunto, que chegou a primeira edição da personagem, na qual apesar de ser uma trama semi fechada, a historia de uma serial killer se arrastaria por 3 edições, porém não essa ou raras excessões as edições são fechadas, o numero de páginas, maior que as da tradicional tex, é explicado pelo escritor de que não conseguiria colocar todas suas ideias em apenas cento e poucas páginas. Agora, sobre o falado de todo o estudo e conceito que foi para criar a personagem e seu universo, também é de reparar todo o estudo em volta das edições, cada edição que contem um tema especifico, demonstra um agudo estudo sobre o assunto em si, dados reportados pela protagonista, sobre aborto, estupro e pedofilia são reais. Os aspectos psicologicos do criminoso diversas vezes é exposto e explorado nos quadrinhos, as explicações para o que leva um assassino a cometar os assassinatos se encaixam perfeitamente com os da vida real. O grande barato é poder continuar acompanhando as aventuras de Julia graças a Mythos, que publica mensalmente suas histórias, sempre no dia 1 de todo mês, mas isso quase foi mudado pois a revista foi oficialmente cancelada, e graças a nós, fãs declarados do personagem, devido as campanhas, conseguimos prolongar a vida util da personagem por mais algumas revistas e finalmente a total anulação do cancelamento da edição. Principalmente depois que ela ainda por cima ganhou um premio HQMIX ( o mais conhecido do pais ) Publicação de Aventura/Terror/Ficção de 2010. Sendo assim, seria apenas uma injustiça, um absurdo sem tamanho se a revista fosse simplismente “cancelada” e jogada no limbo das ótimas publicações europeias que sempre ficam de fora no país enquanto todos os meses temos a banca enxurrada de quadrinhos da marvel ou da dc, cada vez mais fracas e apelativas. E passando por cima de ser apenas um fumetti, a personagem e seus coadjuvantes estão cada vez mais destacados por discussões acima de aspectos culturais, acima do racismo, do machismo, etc. Julia, por exemplo, é uma mulher independente, solteira, que está envelhecendo sozinha mas nunca se deixou levar por qualquer homem, sendo madura e inteligente, driblou todos que tentaram domar a personagem. Sendo considerada uma feminista, simplismente acho ue todos os lados culturais e as chances que temos de ver uma personagem que não use maiô e que tenha um aspecto muscular similar ao de um homem (nunca entendi como homens podem ser fãs da mulher-hulk, por exemplo, ou babarem ovos para essa nova muda na qual o termo “gostosa” é designado as mulheres que tem aspectos parecidos com os do homens, como por exemplo as “dançarinas” e “panicats” de programas televisivos) liderando uma revista que desde já é um grande clássico nas bancas brasileiras. Muitas pessoas dizem que o certo é que o titulo seja cancelado, como por exemplo este texto do site dos melhores do mundo :http://www.interney.net/blogs/melhoresdomundo/2010/10/04/fumettis_ed_mythos_e_a_velha_desculpa_de/ . Gostaria de dizer que concordo apenas em partes com o argumento dele, a revista julia, é cara sim, para 132 páginas, o tamanho e as páginas em preto e branco, e em contrapartida com os otimos textos e desenhos, temos edições que quando estão regulares, estão muito porcas, normalmente eu não reclamaria sobre isso, mas pegamos uma edição recente (não me lembro exatamente qual), em que uma frase é repetida algumas vezes na página, erro grávissimo ) a algumas editorações mal feitas. Mas isso não é nem de perto um “argumento “ para que a revista acabe e renasça das cinzas, pois sendo propriedade da Bonelli apenas Mythos pode publicar, por isso chega a ser um enfraquecimento no texto sugerir tal tolice. Acho que sim, a série merece um tratamento melhor, e sim, merece nunca ter erros. Mas isto acontece em revistas da panini todo mês, acontece em revistas da abril todo mês, aonde pessoas tão profissionais quanto ao pessoal da mythos trabalha, e culpar a revista por isso não pode em nada ajudar em sua continuidade.
Por isso, continuo meu monologo: compre Julia aventuras de uma criminologa. Compre para você, e se você for rico, compre para algum amigo que se interesse por quadrinhos. Porque só assim a revista vai SIM continuar, e só assim ela poderá ter um tratamento mais decente. Quem sabe, não teremos as historias desde o inicio republicada em edições especiais, como temos em tex? ( ao exemplo de tex coleção, tex gigante, tex colorido, tex ouro, etc.) Seria no minimo interessante.

 

Texto originalmente postado em:

pipocaenanquim.com.br

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