Dostoiévski, um escritor em seu tempo*.

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Todos sabem que eu amo o Dostoiévski, já falei sobre ele por diversas vezes, como vocês podem ver aqui, aqui, aqui e aqui.

Apesar de ter vários conflitos ideológicos, sei que ele era um escritor a frente de seu tempo. O primeiro livro que li sobre ele foi Crime e Castigo, um dos seus mais conhecidos, acho que a vitória no sucesso deste livro está no fato dele ser maçante porém de um ritmo rápido de leitura, que prende o leitor e fazendo-o querer ler tudo de uma vez, e aprender com as palavras difíceis uma história que poucas vezes acessou a mente de um personagem. A tensão psicológica, o sentimento de culpa, os delírios de Roskalnikov unidos com uma descrição detalhada da vida dos pobres da Russia trás a imaginação dos leitores uma leitura muito característica, que cativa e faz a gente se identificar com os personagens tão humanos.

Talvez o tema tão constante sobre o autor seja porque seus livros são extensos e resultam em uma dedicação do leitor, para leitura, pesquisa e até entendimento. Dostoiévski tendo uma vida tão ~louca~ faz com que muitos de seus leitores se interessem ainda mais pelas biografias dele. Mesmo assim, como pode um autor, considerado em uma lista fácil, entre os três melhores escritores da humanidade, ser tão pouco lembrado na cultura mundial, até aqui no Brasil?

Muitas pessoas nunca ouviram falar dele, talvez esse motivo me faça procurar falar tanto sobre seus livros e sua vida. Porém,  poucos sabem que indiretamente ele foi responsável por expirar outros escritores e psicólogos, mais conhecidos, que beberam de sua fonte, tais como Freud, Nietzsche, Kafka, entre outros.

Pegue Os Irmãos Karamazov, que na edição da editora 34 saiu em 2 volumes, com mais de 1000 páginas, de uma tradução primorosa de Paulo Bezerra (muito cultuada pelos fãs de cultura Russa em geral, assim como as traduções de Boris Schnaideman também de escritores Russos), com uma narrativa também muito tensa, rápida, mas complicado de digerir, me faz comparar com autores muito talentosos, como Stephen King e J R R Martins,mas por serem contemporâneos, tem livros extensos sendo vendidos que nem água, vale lembrar também que uma grande porcentagem de pessoas que compram os livros desses autores, não conseguem chegar até o final, mesmo com a linguagem fácil, sendo assim, como seria para as pessoas comuns ler Dostoiévski? Que já naquela época era considerado de difícil compreensão, ademais, com ele cometendo alguns erros, característico de sua escrito, em seus próprios livros, muitas vezes utilizando expressões que nem existem, e deixando a cargo do leitor descobrir o que cada coisa quer dizer?

Não é fácil gostar e entender Dostoiévski, fica então, analisando sobre essa perspectiva, até compreensível entender porque esse autor não tem o conhecimento que merece. Mas isso, não por falta de quem gosta dele. Não conheço uma pessoa que goste dele que deixa de indica-lo! São criticas, textos e fotozinhas no instagrams da vida sobre livros dele.

Houve ano passado, um grupo de leitura das obras do autor no CCBB do Rio de Janeiro! Entre outras coisas, a resistência vem apenas das pessoas, afinal, ter tempo para leitura é algo raro hoje em dia, quando o livro disputa atenção com Smartphones, TVs, revistas e até Gibis, mas sem dúvida, ler um livro, nunca deixou de ser uma experiencia unica e incomparável.

 

*Uma tradução de A Writer in his Time, de Joseph Frank, grande biografo de Dostoiévski morto este ano, aos 94 anos.

 

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