O chamado de Tchutchuco.

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Nesse ano de 2014 resolvi fazer algo diferente, como sempre esqueço quais livros vou lendo a cada ano, vou postar comentários e breves criticas sobre eles aqui, fiz isso esse ano com “O Lobo do Mar”. O próximo é uma série de livros do Lovecraft que saiu pela editora Hedra aqui no Brasil, no Carnaval a editora deu 50% com frete grátis em seus produtos, com uma qualidade selecionada de obras, papel off-set e uma tradução supimpa de Guilherme da Silva Braga, comprei 04 livros do Lovecraft, dentre eles o Chamado de Cthulu, O horror de Dunwich, Um Sussurro nas Trevas e a sombra de Innsmouth, tudo por módicos 54 reais, mas já aviso que fora O horror de Dunwich, os outros livros são pocket.

Dentre eles terminei de ler o Chamado de Cthulu e o Horror de Dunwich. Hoje vou falar da edição do chamado de Cthulu, primeiro que li.

Já conhecia o autor de nome há vários anos, mas só li uma obra dele quando um amigo meu (valeu Claudião) me emprestou “Nas montanhas da Loucura”, da editora Hedra, livro que li em coisa de uma semana, tamanho o suspense que o autor soube criar para o desfecho e do mundo que imaginou descrito em linha após linha, na época, nas montanhas da loucura estava em alta por causa de Prometheus e toda a polemica envolvendo o Guilhermo Del Toro, que queria filmar o livro, mas desistiu porque muito do que ele queria fazer já estava feito em Prometheus. Para quem ler o Chamado de Cthulu, de qualquer maneira, encontrará diversas referencias a Lovecraft em praticamente todos os outros filmes de Guilhermo, de Hellboy (na qual o autor, Mike Mignola também é um grande fã), até Circulo de Fogo, com monstros imensos que estão vindo do fundo do mar. Lovecraft puro.

Vale ressaltar que na vida, Lovecraft publicou apenas um livro, o resto eram contos publicados em revistas, como a Weird Tales, na qual colaborou boa parte de sua vida adulta e foi responsável por disseminar os mitos de Cthulu e toda a “pseudomitologia” envolvendo o Necronomicon e os Deuses Ancestrais.

Com isso em vista, fica interessante observar os diversos materiais extras contidos nos livros da editora Hedra, no intuito de deixar a publicação com um recheio maior para ter mais páginas, afinal só o Chamado de Cthulu tem apenas umas 50 páginas. Cartas de Lovecraft e contos menores que ajudam a preparar  a pessoa para entender melhor o que seria a mitologia envolvendo o Chamado de Cthulu, principal historia do livro, introduções e notas explicativas ajudam o leitor a se situar e a mastigar to o complexo universo criado por H. P. Lovecraft.

Mas se pegarmos para analisar há referências encontradas em diversos contos do escritor, em série temos, por exemplo, True Detective, que falei em meu último post. A ideia de Seitas Religiosas era algo que Lovecraft escreveu várias vezes, principalmente nos contos anteriores a neste livro, como o “Assombro nas Trevas” ou o “Modelo de Pickman”. O tão citado “Yellow King” inspirou Lovecraft, pois se tratava de um livro com dez contos de terror que estavam sutilmente interligados, assim como os contos de Lovecraft.

O conto “A música de Erich Zann” é puro Horror Cósmico, gênero que Lovecraft era expoente máximo e é uma espécie de síntese de tudo que esse gênero representa: o homem, sozinho no universo, sendo engolido pela escuridão infinita, o homem como ser insignificante perante aos seres ancestrais.

Já Dagon, temos a narrativa de um fugitivo na primeira guerra mundial, que encontra um antigo Deus, Dagon é inspirado em um deus filisteu.

Mas nem tudo são flores na obra de Lovecraft, apesar de ótimo narrador, apesar de conseguir exprimir o terror psicológico em seus personagens como quase ninguém fazia em sua época com reações convincentes de seus personagens diante das monstruosidades que encontravam em seu caminho, confesso que às vezes exageradas. Mas alguma coisa me perturba em suas narrações, de primeira ou terceira pessoa. Seus personagens são sempre cultos ao extremo, de todos os livros que li dele até agora, nenhum tem um personagem principal diferente dessa extrema. Ou são antropólogos ou folcloristas que estudam religiões e povos antigos.

O próprio Lovecraft era um aficionado por literatura, grande leitor, não se sentia aos pés de Poe ou outros escritores que em vida não produziram tanto quanto ele, mas talvez esse seja seu maior problema, Lovecraft exclui totalmente outros tipos de personagens, mulheres, quando existem, são omissas e só servem de personagem para seus textos. Povos “mulatos ou negros” aonde predominam religiões africanas, como citado no chamado de Cthulu, são pessoas anônimas sem nomes ou participações, ignorantes sem percepção que adoram deuses sanguinários e destrutivos, seria tudo bacana se não fosse essas pequenas coisas, que como já escrevi na revista rever no texto sobre Frank Miller, me deixa com o pé atrás com esse tipo de autor. Se o Lovecraft fosse tão inteligente a ponto de estudar sobre mitologias antigas, árabes, cosmologia e tudo mais como dizia, como ele podia ser em contrapartida um racista convicto? Não digo isso por apenas achar que ele era Racista, mas sim porque no livro “Sombra de Insmouth”, há vários trechos de suas correspondências, aonde dizia odiar negros, judeus, asiáticos e até canadenses!Adorava o livro “Minha Luta”, do Hitler. Ficamos então com uma contrapartida imensa do intelecto com uma falta de bom-senso por parte do escritor.

Vale observar a forma direta e crua como Guilherme da Silva Braga, que tem feito um trabalho impar nas traduções e edições das histórias de Lovecraft, expõe esses pensamentos do escritor.

Tendo em vista tudo isso em vista, vale ressaltar que em o Chamado de Cthulu não há nenhuma declaração infame do tipo, apenas por se tratar de contos curtos, tem protagonistas sem espaço para coadjuvantes de outras etnias/sexo. É tudo bem direto, com relatos em primeira pessoa bem explicativos dos protagonistas geralmente em um curto período de tempo.

Finalmente, vale a pena à leitura, apesar dessa critica quanto ao comportamento do autor, porém em “O chamado de Cthulu e outros contos” é composto por histórias curtas e ótimas, que despertam o desespero no leitor e é algo fundamental para entender escritores como Stephen King, Alan Moore e cineastas do cacife de Ridley Scott e Guilhermo Del Toro.

 

 

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