Archive for the ‘Ilustrações’ Category

Fargo 3ª Temporada – Tá ruim e tá bão

junho 6, 2017

17498638_1012217652245409_1325377021198535022_n.jpgAtenção, contém spoilers sobre a trama! Não ligo se você se importa sobre isso ou não. Adoro spoilers e ler sobre séries, esse é um espaço de debate, então seja bem vindo para ler, comentar, criticar, deixar sua observação. Mas não diga que eu não avisei.

Adorei a primeira temporada de Fargo, tensa, com mortes o tempo todo e um desfecho positivo, diferente de alguns dos filmes dos irmãos Coen que inspiraram a série. Fiquei contente como tudo se desenvolveu, mas ainda tenho ressalvas do quanto de inspiração que a primeira temporada pegou dos filmes dos irmãos Coen, algumas partes pareciam ter saído dos filmes, tamanho similaridade

Já a segunda temporada teve um problema de desenvolvimento em seu início, e eu conheço muita gente que não aguentou chegar até a metade dela, até hoje quando falo sobre a série, algumas pessoas que não tiveram saco para continuar falam “nossa, fargo, aquela série chata que não se desenvolve!”. Geralmente, não falo nada, mas tadinhos gente. Digo isso porque quando a série engrena, é uma sucessão de: 1 – Mortes, 2 – Cenas que faz seu coração apertar e doer de tanta tensão, 3 – Momentos Kristen Dunst ( que foi injustiçada no Globo de Ouro – prêmio de melhor atriz foi para Lady Gaga) e 4 – Aliens!

Logo de cara a segunda temporada se distanciou do filme e da primeira temporada não utilizando apenas o tempo, por se passar nos anos 70, mas também pela inclusão de algo inédito na série, FUCKING ALIENS! Enfim, não tem muito o que falar neste momento porque o songo mongo aqui perdeu a chance de comentar a série na época, agora não tenho todas as lembranças claras e quero falar sobre a terceira temporada, que estreou em Abril e logo logo deve acabar.

Vamos lá: Fargo, 3ª Temporada se passa em 2010, e logo de cara trás um dos chamarizes das outras temporadas: O elenco topperson de linha, Ewan Mcgregor embarangado para fazer o papel de dois irmãos com problemas de relacionamento – nota 10 para a maquiagem, Carrie Coon como a chefe de polícia que trabalha dentro de uma biblioteca que também funciona como delegacia, Mary Elizabeth Winstead, atriz de Scott Pillgrim e Rua Cloverfield, David Thewlis, o eterno Lupin de Harry Potter ótimo como o vilão da série.

Logo de cara, o ritmo da terceira temporada joga um banho de água fria nos espectadores: Não vai ter matança tão cedo, o que não é ruim, pois todos os 7 episódios constroem oportunidades e um fundo para o que o oitavo (de dez), deve trazer.

Estão presentes, o humor negro, morte acidental, situações constrangedoras, frio e neve, cenas em estacionamentos, entre outros requisitos básicos que faz parte do universo de Fargo!

Falando de estacionamentos, temos um dos protagonistas dono de uma rede de estacionamentos, vivido por Ewan Mcgregor. Em contrapartida, o ator também interpreta o irmão fracassado, que culpa todo suas falhas em uma troca que ocorreu quando os dois eram novos. A partir daí se desenrola o roteiro, pois o irmão fracassado, Ray, é um oficial de condicional e pressionado por sua namorada, uma ladra em condicional, acaba tentando roubar o selo do irmão.

Emmit, o irmão sucedido, descobre que um empréstimo milionário que pegou alguns anos atrás, na época da crise, não foi de um banco ou credores como pensava. E sim agiotas especializados em emprestar dinheiro para negócios em troca de se tornar sócio, e assim, usar estes negócios para atos ilícitos.

Do outro lado, temos a chefe de polícia, Gloria, interpretada por Carrie Coon, investigando a morte de seu padastro.

É aí que tudo começa a dar errado, a lá fargo, e as três histórias se entrelaçam entre si, algumas observações:

Há um episódio todo voltado para a carreira de escritor de ficção cientifica que o padrasto de Gloria teve. Apesar de eu ter achado fora do contexto, foi interessante assistir esse episódio na mesma semana que assisti um documentário sobre a produção de Blade Runner, no qual contam uma cena de Philip K. Dick visita o set de filmagens e assiste algumas cenas do filme.

Não consegui entender como a personagem de Mary Elizabeth Winstead, Nikki, está viva até agora. Os capangas poderiam ter matado ele em duas ocasiões, mas não o fizeram. Logo no inicio eles executam um velho só porque ele pesquisa o nome do chefe deles na internet!

Houve um link entre a primeira e a terceira temporada, mais precisamente o mesmo ator que faz o assassino mudo da primeira, está na segunda, aparentemente com o mesmo personagem.

Temos um Russo e um Chinês como o capanga de Vargas. Seria coincidencia se o tema do comunismo não aparecesse algumas vezes, como no inicio do primeiro episodio aonde o inicio se passa na alemanha oriental dos anos 70, no retrato de Stalin que sempre aparece quando Vargas usa o computador, ou nas citações do capanga Russo sobre como era a vida na sibéria.

A tensão é maior em cada episódio. Conhecendo a série e o filme, sei que a qualquer momento um personagem pode rodar! Por isso o título “tá ruim e tá bão”, ruim, porque é horrível esperar toda semana para o desfecho, bão porque as cenas são bem produzidas, o roteiro está afiado, a atuação está ótima e sabemos que jajá vai ter uma reviravolta na ação. Os episódios oito e nove, que são os próximos, prometem. Os produtores tem noção disso, pois enviaram na lista de indicados ao emmy, os atores tem noção disso, é crescente a tensão até aonde não há necessidade, tanto da chefe de polícia como dos outros atores, é como se soubessem que algo vai acontecer a cada instante. E os fãs sabem disso, pois conhecendo fargo, será dificil a série errar depois de dois excelentes acertos.

 

 

 

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março 30, 2017

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Sim, eu comecei a assistir Girls, decidi ver alguns episódios com minha esposa e quando nós dois percebemos, já estávamos na quinta temporada.

Pensei um bocado sobre resenhar essa série, afinal, ela é polêmica por si só. É considerada por uma parcela de feministas como não inclusiva pois em seis temporadas não tivemos personagens negros de destaque, além de linguagem ofensivas para mulheres, como: cunt, bitch etc.

É complicado falar da série ignorando esses dois fatos, mas não sou mulher e também não sou negro. Vamos cair na real: cerca de catorze por cento da população americana é negra, é pouco? Se comparado com o Brasil, sim. Porém temos outro fato, a série se passa no Brooklin, então não é só faltar com representação como com a identidade cultural de um dos bairros mais famosos do EUA. Fica explicito essa hipocrisia comparado com séries como todo mundo odeia o Chris, aonde a mitologia urbana de Bed-Stuy faz parte da série. Talvez se olharmos pelo angulo em que Brooklin quase ganha vida com a série de Chris Rock isso atenue um pouco. Mas vamos lá, estamos na sexta temporada e até agora só vi dois personagens negros ganhar algum destaque. O primeiro ainda era republicano.

Quanto aos palavrões, acredito que por próximo que seja os personagens da vida real, muitas palavras são proferidas em momentos que os personagens estão estourados, não tem muito o que falar.

Apesar desses problemas, Girls tem o selo HBO, o que fez todo diferencial, duvido que em uma AMC Lena Dunham teria liberdade que vemos na série, o enredo e o roteiro é o ponto forte da série, com um começo morno, logo eu estava torcendo pela Hannah, e apesar da série ter algo que não gosto muito (com exceção de Shoshana e Ray) que é o fato dos personagens serem escrotos o tempo todo em seus relacionamentos, amigos e parentes, chegando a alguns momentos surreais, a maneira que temas para pessoas de minha idade (27 anos) são tratados é excelente. Todos personagens são dependentes financeiramente dos pais, apesar de terem alcançado seus quase 30 anos, faz parte dessa nossa geração “MILLENAILS”.

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Citei Shoshana e o Ray acima e este são disparados meus personagens favoritos, a temporada em que ela está no Japão é engraçadíssimo e o Ray só não seria um personagem melhor porque ele é gente boa e ao mesmo tempo reclamão demais, porém os dois dão uma quebra na escrotice dos personagens e eu acredito que o meu ponto favorito na série é quando um personagem que é escroto o tempo recebe o karma e alguém é mais escroto ainda com ele.

Outro personagem que eu gosto é o Adam, talvez mais pelo ator simpático do que pelo personagem (que já foi de obsessivo compulsivo com relacionamentos a obsessivo compulsivo por bebês, mas tudo bem) teve um plano de fundo forçado – alcoólatra em recuperação desde o início da série o que é desnecessário e foi criado apenas para dar alguma profundidade ao personagem que estava perdido no roteiro, para vocês terem ideia essa questão foi jogada no vendo, mas nunca realmente abordada. Também tem outras questões forçadíssimas como: casais apaixonados que se traem em pouquíssimo tempo, casamentos que são desmanchados em poucos episódios e algumas subtramas com pouca profundidade.

Ah, e tem o Jeremiah, talvez um dos melhores personagens, pau a pau com a Shoshana

Mas no geral a série é boa, não cansa muito, tem excelente trilha sonora. Mas na minha opinião, depois de seis temporadas, nenhuma das personagens femininas adquiriu uma característica forte ou notável. Digo, eles até tentaram com a Hanna em diversas partes, mas falharam, das quatro – Hanna, jessa, Marnie e Shoshana, apenas a última é memorável.

Hanna é engraçada, mas deixa a desejar na personalidade fraca da protagonista. Marnie, que começou muito bem, praticamente ficou apagada, e Jessa, bom, Jessa é uma escrota.

Voltei!

março 21, 2017

Após quase 2 (dois) anos, decidi voltar com o blog.

Muita coisa aconteceu, comecei duas empresas, fechei uma, voltei a trabalhar com informática.

Parei de desenhar, voltei a desenhar, parei e voltei recentemente.

Fiz diversos textos, nenhum deles para ser publicado, comecei um livro e larguei na pagina 30.

Li alguns poucos livros, em especial os do Harry Potter,

Sim, virei Potter maníaco.

Vi muita, mas muita série para falar aqui, dentre elas: Fargo, Girls, Louie, Mr. Robot.

Li pouquissimo quadrinhos, na realidade, quase nenhum. O mercado de quadrinhos Brasileiro esta em seu auge, mas mesmo assim, não fico entusiasmado.

O estrangeiro eu larguei de mão, ninguém merece ser torturado com quadrinhos da Marvel e DC.

Penso em mudar o nome do blog, deixar ele voltado apenas para séries, já que leio cada vez menos… seja livros ou quadrinhos.

Essa questão deixarei em aberto por enquanto, por hora o que sinto necessidade é de escrever.

Sobre Scullys e Mulders

maio 6, 2015

Dei uma olhada nas primeiras edições de Arquivo X, a décima temporada.
E não é de se estranhar que depois de mais de un ano o sucesso da HQ tenha ajudado ao retorno da série:

Sem ataque de estrelismos de David Duchovny e com controle de Chris Carter como editor, em poucas edições sabemos que os Lone Gunmen não estão mortos, nem mesmo o Câncer Man ( sim dou spoilers, se você não sabe disso, tchau ).
Espero que a série faça una adaptação ou aproveite as idéias dos quadrinhos, senão isso seria algo a se lamentar.

Acompanhe de alguém que se importou mais em datalhar nessa pagina da Wikipedia: http://en.m.wikipedia.org/wiki/The_X-Files_Season_10

Arquivo X vai voltar?

março 26, 2015

Segundo o UOL a Fox vai encomendar  duas temporadas novas de Arquivo X. Recentemente assisti todas as temporadas, foram dias e dias de tensão e um final deprimente. A série já retornou nos quadrinhos no ano passado, sem termina previsão de publicação no Brasil, nos quadrinhos iria iniciar uma nova temporada a partir da série de TV, nos moldes do que aconteceu com Buffy. Talvez os quadrinhos fizeram sucesso o que viabilizou a continuação da série, quem sabe. Os criadores e os atores estão comprometidos a voltar.

Vale lembrar que Twin Peaks deve voltar em 2017, os fãs dos anos 90  piram.

Sem tempo para ler.

março 23, 2015

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Final da terceira temporada de House of Cards deixou a desejar.

Parks and Recreation acabou! Vai deixar saudades e ainda falarei mais da série, enfim, agora de comédia apenas Workaholics, que tem recebido participações especiais essa temporada: mais precisamente Ben Stiller, Jack Black e Douph Lundgreen.
Uma nova tentativa para assistir Seinfield com a patroa se inicia, assim como Downtown Abbey, mas essa já foi sugerida pela Lelia.

Ouvi muita gente

março 13, 2015

Babando ovo do Squarespace, me cadastrei, baixei o APP, mas de boa? Ainda to preferindo o WordPress.

Volta de novo.

março 2, 2015

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Desafios do dia:
(X)Baixar o aplicativo do WordPress na internet capenga da claro.
(X)Lembrar a senha do blog.
(X)Postar no blog.

Se até o cocadaboa voltou, bora mulek.

Série finalizada:

(X)A sete palmos: sem dúvida, uma das melhores séries de todos os tempos, House of Cards, Guerra dos Tronos, Walking Dead entre outras ainda tem que comer muito arroz com feijão para chegar nos pés de SFU. E como não desejar um enterro ecológico como do Bate quando morrer?
(X)House of Cards meio da segunda temporada. Eu não sei vocês, mas séries com personagens inteligentes demais irritam. Os sucessos estão com protagonistas homens e mulheres que tenham um nivel intelectual de quase toda a população. Você se identifica com o/a personagem. Vide Sopranos, Sete palmos. Personagens muito inteligentes enchem o saco porque você sabe que tem um monte de roteiristas por trás se esforçando para fazer citações que ninguém vai entender e nem achar graça. Bazinga.
Felizmente existe ainda aquele personagem ccom a inteligencia um pouco acima da média humana, como é o caso de Francis e Claire, no qual você consegue pensar e achar soluções juntos com eles. Série ta valendo a pena, por enquanto.

Livros:

(X) Não li nenhum, mas me esforcei, porém Deus: um delírio é maçante e chato demais.

Aliens do passado ou os arquivos xis.

janeiro 31, 2015

Após nove temporadas e dois filmes, terminei mais uma série.

Uma cruz que carrego há alguns anos, junto com a minha esposa, de ver em séries de televisão uma nova forma de arte, aonde atuação, roteiro, direção e produção caminham juntos por anos, para nascer algo criativo e único. Assim foi com Sopranos, The Office, Parks e Recreation, Twin Peaks, Breaking Bad, Workaholics, Flight of the Conchords, entre outras.

Já escrevi sobre algumas, outras fui deixando cair no limbo de meu esquecimento até que ao tentar escrever sobre elas, já havia esquecido boa parte. Mas não pude deixar isso acontecer com Arquivo X, porque além de marcante, a série é muito peculiar.

Antes de Lost, Supernatural, Fringe e outras séries que não vale a pena nem citar aqui, existia Twin Peaks.

Twin Peaks é o que acontece quando um cineasta autoral invade as telas pequenas. Uma série intrigante, aonde cada episodio deixava aquele gancho que nos faz querer ver o próximo, a série apresenta como personagem principal um agente do FBI para investigar um possível Serial Killer, porém não se prende apenas a ele. Assim, ao logo de duas temporadas e um filme, somos convidados a conhecer a pequena cidade de Twin Peaks, aonde aos poucos, vamos conhecendo a vida dos moradores da cidade.

David Duchovny já aparecia nesta série como um crossdresser. Para a época, um personagem transgressor. Apesar de se vestir como uma mulher, algumas vezes aparece percebendo a beleza feminina, além de contar que se vestiu de mulher em uma missão, e que no final dela, continuo como um costume, porque via nas roupas de mulheres conforto.

Mas não estamos aqui para falar sobre Twin Peaks, e sim sobre Arquivo X, acontece que logo após o final de Twin Peaks, a fox colocava nos trilhos X-Files, encabeçada por Chris Carter, de uma maneira tímida, o sobrenatural de Twin Peaks se juntou com teorias de conspiração alienígena, junto com o ocultismo e outras bizarrices. Na série, Fox Mulder é um agente do FBI, outra hora com uma carreira promissora, que devido seu interesse e crença no Sobrenatural e em alienígenas, vai parar no Arquivo X, uma sessão no porão do FBI aonde crimes sem explicação e insolúveis são encaminhados. Porém suas investigações se aprofundam e a a agente com formação em medicina Dana Scully é encaminhada para ser parceira de Mulder, o motivo, era para que ela, como cética, atuasse como critica as investigações de Mulder. Com o tempo Scully se torna uma importante aliada de Mulder, e após a segunda temporada tem tanta importância quanto ele na trama.

A verdade é que apesar de muito

cética e de no inicio da série isso se tornar inclusive uma espécie de rinha entre “acredito ou não acredito”, ou “isso simplesmente aconteceu” com “com certeza existe uma explicação cientifica para isso”.

O ceticismo de Scully se tornou inclusive motivo para piada na internet, existe até esse vídeo aonde aparece a quantidade de vezes que ela cita e defende a ciência acima de tudo.

Essa diferença entre os dois acaba rendendo bons episódios. Como aquele que é contado a partir do ponto de vista entre um Nerd paranoico, ou aquele que se passa sobre as duas óticas, com as versões de cada agente.

Com o tempo se estabeleceu dois tipos de episodio: a mitologia da série, que contava aos poucos as abduções de Scully, Mulder e da irmã de Mulder, esses episódios envolviam conspirações do governo para esconder uma invasão alienígena. Os planos do governo era criar uma raça de humanos escravos dos aliens.

E os episódios avulsos, que são aleatórios e envolvem forças sobrenaturais entre outras coisas. Alguns destes episódios são desastrosos, outros tem ótimos roteiros dignos de prêmios como o sindicato dos Roteiristas.

Arquivo X expandiu esse conceito de Coadjuvantes de Twin Peaks, apesar de não ter tantos, conhecemos ao longo da série os Lone  Gun Man, três nerds que escrevem um jornal desmascarando as conspirações do governo. Walter Skinner, Assistente do Diretor, que aos poucos se torna um aliado de Mulder. O Câncer Man, talvez um dos maiores vilões em que já vi em séries.

Esse desenvolvimento de personagens secundários eu posso ver espelhado em Lost,  com ótimos coadjuvantes aonde vamos conhecendo a história deles por meio de flashbacks e flashfowards. Também o grande mistério das abduções e as teorias de conspiração alienígena também estão presentes nos mistérios explicáveis e inexplicáveis da Ilha. Enxergo esses a em outras séries como Fringe, aonde apesar de episódios aleatórios aos poucos vamos conhecendo a mitologia da série, e um plano que ao invés de envolver alienígenas, envolve realidades alternativas.

O que me deixou decepcionado na verdade foi o desenvolvimento da série após o filme que saiu depois da quinta temporada. A partir daí, a não ser pelos episódios avulsos, a série declina muito, tendo um final horrível.

Apesar disso, o saldo todo é positivo e praticamente na sexta-temporada descobrimos quase toda a conspiração e os malvados são praticamente excluídos.

A partir daí é criado uma nova trama, que não é bem fechada e fica sem pé nem cabeça. Após uma temporada inteira fora, Mulder retorna no último episodio do nono ano querendo esconder uma verdade estarrecedora, isso em 2002. Nem a verdade que ele tenta esconder vale a pena no episodio: Essa seria que os alienígenas iriam invadir nosso planeta no final de 2012, assim como Os maias previam o fim do mundo , e esse spoiler, nem dá vontade de evitar escrever.

A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes

novembro 6, 2014

 

Quem acompanha meu blog, sabe que um dos meus escritores favoritos é o Dostoiévski, alguns de meus textos favoritos foram sobre suas obras ou sobre a vida e comportamento do escritor. O último texto, por exemplo, era sobre uma briga épica da literatura mundial, protagonizada por Fiodor e Turgueniev, comparando o viralatismo de Turgueniev com o complexo de vira latas que muitos de nós brasileiros sentimos em relação ao nosso país. Você pode ler o texto aqui.

Um texto aonde linko todos os outros com criticas sobre os livros do autor pode ser encontrado aqui.

Fiz uma promessa no inicio do ano de comentar e criticar quadrinhos e livros que li, infelizmente, não consegui ler tanto quanto queria, quanto mais parar para escrever sobre estes livros e quadrinhos.

Ganhei a A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes tem algum tempo da minha esposa, porém além de demorar para começar a ler é complicado escrever sobre um livro do Dostoiévski, principalmente quando eu tenho o costume de sempre ler sobre o escritor e sobre suas obras, e o pior de tudo é quando tenho obras biográficas do autor, entre elas a rica biografia do Joseph Frank, que além de falar sobre a vida do Dostô, ainda aborda a politica da época  e critica os livros do autor. Para se ter uma ideia, apenas para explicar a discussão entre Turguêniev e Dostoiévski, o autor gastou dezenas e dezenas de páginas explicando os motivos, criticando livros do Turguê, comparando criticas de outros autores com as do próprio Dostô, além de traçar uma biografia deste rival do Dostoiévski.

Pois bem, primeiro, assim como quase todos os outros livros que escrevi sobre Dostô, a Aldeia (vamos abreviar aqui porque o nome é longo), nesta versão que eu li, é da Editora 34. A editora tem feito um ótimo trabalho em publicar textos russos de autores consagrados como este escritor que falo sobre, também sobre Tolstoi, Pushkin, Gogól, entre outros, assim como novos autores, por exemplo, da “Nova Antologia do conto Russo”, aonde traz diversos contos de autores consagrados na literatura Russa, como novos autores, até a data de 1998.

Todos os livros que li da editora 34 tem excelentes trabalhos de ilustradores e artistas plásticos, trabalhos com xilogravura ou até gravura, e no caso de A Aldeia não é diferente, todos que eu li, envolviam ilustrações de excelentes artistas brasileiros ou naturalizados no Brasil, alguns que fizeram o trabalho inspirado em passagens de livros do Dostô, ano passado ou retrasado, visitei na caixa cultural uma exposição de Oswaldo Goeldi, aonde estava exposto as séries de desenhos, gravuras, xilogravuras, etc, do autor, sobre livros do Dostoievski, para conferir as obras do mesmo, acesse aqui.

Nesta edição de a Aldeia, o ilustrador é um veterano, Darel Valença Lins, excelente artista nascido em 1924, confiram a página do Wikipedia dele aqui.

Gostei muito da tradução de Lucas Simone, que também organizou a edição da Nova Antologia do conto Russo, formado em história na USP, é professor da lingua Russa. Jovem, é um folego para os tradutores de livros Russos, tendo em vista que pelas outras edições da Editora 34, temos os excelentes e veteranos tradutores Paulo Bezerra (74 anos), e Boris Schnaiderman (97 anos), além de outros tradutores. Com toda certeza eu não teria começado a ler Dostoiévski sem a maneira brilhante em que eles conseguem expressar e traduzir as expressões e o estilo de narrativa deste autor, para se ter uma ideia, mesmo vários dos livros antigos, antes da Editora 34 começar a publicar autores Russos no mercado, traduziam textos Russos do Inglês, ou seja, era a tradução da tradução.

Enfim, finalmente li a Aldeia, e a primeira coisa que tenho de falar é: gostei muito do livro.

Escrito em 1859, é conhecido como um dos romances siberianos de Dostoiévski, porque foi concebido quando ele ainda era exilado na Sibéria, logo depois que saiu da prisão, para quem não sabe Dostô foi preso e além de ficar um tempo na cadeia depois foi obrigado a trabalhar para o exercito Russo, legalmente ele era proibido de voltar a Rússia, isso aconteceu depois de muito esforço que ele fez, como cartas para generais e para o próprio Czar da época. O fato é que ele foi impedido de escrever no tempo em que ficou preso, e quando viu que contemporâneos que foram presos pelo mesmo motivo estavam publicando textos em revistas e livros, decidiu voltar a ativa.

Pediu para seu irmão que estava na Rússia publicar um texto que ele escreveu quando ainda era preso politico antes de seu julgamento. Sem assinatura do autor, que temia ainda a censura e ser repreendido por escrever, além de ser espionado pela polícia Russa, o texto passou batido na sociedade. Quando publicou de seu primeiro livro, na juventude, Fiodor fez muito sucesso, e ele esperava o mesmo sucesso com o seu retorno literário, porém, as perspectivas eram outras, ele era jovem quando publicou seu primeiro romance, agora era casado, recebia um salário muito baixo, e precisava produzir algo as pressas, então é neste cenário que ele publica o Sonho do Tio, livro que teve uma reação muito inexpressiva na entre os leitores e no qual ninguém comentou. Porém assim ele finalmente recebia um salário digno, com isso trabalhou com maior calma e intensa dedicação, em meio a diversas crises de epilepsia conseguiu parir a Aldeia. E é engraçado que Dostô realmente tinha grandes perspectivas com esse romance, pois ele achava que seria levantado aos céus novamente como com o seu primeiro livr, porém Belinski, principal critico responsável por dar aquele hype no inicio de carreira do autor estava morto, e antes de morrer fez questão de anunciar que havia se enganado quanto o talento do escritor.

A Aldeia teve muita dificuldade para ser publicada, além de ter editores que enrolaram para decidir se iriam colocar em suas revistas ou não, um deles que havia dado um adiantamento para o escritor pediu o dinheiro de volta, pois não gostou do resultado, depois de alguns meses ele finalmente foi publicado em uma revista, e a critica foi muito forte quanto a história, pois além de criticar contemporâneos que eram excelentes escritores, além de satirizar Gogól na figura de Formá Formitch, ainda foi criticado por seus principais aliados, o setor progressista que tentava libertar os servos, para se ter uma ideia, Formá Formitch que era uma espécie de bufão (termo que pode ser comparado a bobo da corte), tentava ensinar no livro conceitos de literatura, astronomia e ciências aos servos. Da maneira que fica exposto, pode abrir uma margem de erro de interpretação ao setor mais progressista da sociedade Russa que Dostoievski estava satirizando a burrice dos Servos, quando estava mais para satirizar o tipo ridículo do intelectual na época, que vemos até nos dias de hoje, aonde tenta ensinar algo para pessoas que não tem o minimo interesse.

Enfim, apesar de não ser o narrador, Formá é o principal personagem do livro, isso pode não ficar muito exposto, mas a maneira que é criado o personagem, de forma brilhante, fez com que “Formá” se torna-se uma designação para bufão, bobo da corte, palhaço, entre outras, na Rússia e é utilizado até nos dias de hoje para designar esse tipo  de gente, mas para entender melhor, deixe-me explicar:

A primeira parte do livro, demasiada extensa, contém o narrador, sobrinho de um Coronel que é dono da Aldeia, contando que recebeu uma carta de seu tio, ele narra todo o drama psicológico de seu tio, da mãe de seu tio, do ex-marido de sua tia avó, contando basicamente que seu tio era um ser que não conseguia colocar a culpa nos outros, que era ignorante em temas de ciência e cultura, que qualquer um poderia facilmente subir nas costas dele. Quanto a sua tia-vó, logo de inicio é mostrado o desprezo que o narrador sente pela velha, e não é por exagero: casada com um General, que no inicio do livro já era falecido, a velha se muda para a casa do tio da narrador, levando todos seus animais, criadas, etc. Tirana, egoísta, exagerada, vê em Formá Formitch uma espécie de amor platônico, Formá, era criado do General, e sofria na mão do velho, como sofreu a vida toda. Acadêmico e culto, além de ter publicado textos, nunca conseguiu dinheiro por não ter origem nobre, acaba se tornando uma espécie de monge para a Generala quando o velho morre. Fazia previsões do futuro, dava verdadeiros exemplos de sua cultura, entre outros, consegue se instalar na casa do Coronel de maneira na qual, acaba subindo nas costas dele.

Nesta carta o narrador descobre o desespero de seu tio, que está tentando ludibriar que seu sobrinho se case com a governanta de sua casa, o sobrinho detecta que tem algo de estranho no texto e no caminho para a Aldeia, conforme se encontra com pessoas que vinham de lá, aos poucos vai descobrindo as histórias de Formá.

O livro se torna muito interessante e encantador quando o narrador chega na Aldeia e se depara com as figuras pitorescas. Vale observar que nas quase 400 páginas, Dostoiévski construiu personagens dinâmicos, únicos até então na literatura. E fica evidente sua qualidade na narrativa quando consegue desenvolver em um curto espaço de tempo todas as ações e toda a humanidade de seus personagens, e essa característica é inegável pois estará em outros de seus maiores romances.

Quanto as criticas que ele recebeu, vale observar que ele estava fora do cenário social da Rússia, ele apareceu com um livro cômico quando a Rússia estava lidando com questões séries como a liberação dos servos, mesmo com o livro considerado uma comédia, dá para perceber nos diálogos e nas histórias dos personagens um pouco do sufoco que o autor passava, além das crises epiléticas e da depressão profunda que ele sofria. Não foi bem recebido pela critica, principalmente porque alguns dos escritores e donos de publicações da época foram parodiados no livro.

Enfim, desta vez não tive aquela sensação que descrevi antes, que a cada livro deste autor que leio tenho a impressão de ser o melhor livro que li na vida, mas recomendo a todos que querem conhecer os dois lados do autor (antes de ser preso, e depois de ser preso), e acompanhar com leituras como Pobre Gente e O Idiota, e perceber como prisões, crises de epilepsia, mortes de entes queridos, dívidas excessivas, podem ajudar a moldar um dos maiores escritores de todos os tempos.