Aliens do passado ou os arquivos xis.

janeiro 31, 2015

Após nove temporadas e dois filmes, terminei mais uma série.

Uma cruz que carrego há alguns anos, junto com a minha esposa, de ver em séries de televisão uma nova forma de arte, aonde atuação, roteiro, direção e produção caminham juntos por anos, para nascer algo criativo e único. Assim foi com Sopranos, The Office, Parks e Recreation, Twin Peaks, Breaking Bad, Workaholics, Flight of the Conchords, entre outras.

Já escrevi sobre algumas, outras fui deixando cair no limbo de meu esquecimento até que ao tentar escrever sobre elas, já havia esquecido boa parte. Mas não pude deixar isso acontecer com Arquivo X, porque além de marcante, a série é muito peculiar.

Antes de Lost, Supernatural, Fringe e outras séries que não vale a pena nem citar aqui, existia Twin Peaks.

Twin Peaks é o que acontece quando um cineasta autoral invade as telas pequenas. Uma série intrigante, aonde cada episodio deixava aquele gancho que nos faz querer ver o próximo, a série apresenta como personagem principal um agente do FBI para investigar um possível Serial Killer, porém não se prende apenas a ele. Assim, ao logo de duas temporadas e um filme, somos convidados a conhecer a pequena cidade de Twin Peaks, aonde aos poucos, vamos conhecendo a vida dos moradores da cidade.

David Duchovny já aparecia nesta série como um crossdresser. Para a época, um personagem transgressor. Apesar de se vestir como uma mulher, algumas vezes aparece percebendo a beleza feminina, além de contar que se vestiu de mulher em uma missão, e que no final dela, continuo como um costume, porque via nas roupas de mulheres conforto.

Mas não estamos aqui para falar sobre Twin Peaks, e sim sobre Arquivo X, acontece que logo após o final de Twin Peaks, a fox colocava nos trilhos X-Files, encabeçada por Chris Carter, de uma maneira tímida, o sobrenatural de Twin Peaks se juntou com teorias de conspiração alienígena, junto com o ocultismo e outras bizarrices. Na série, Fox Mulder é um agente do FBI, outra hora com uma carreira promissora, que devido seu interesse e crença no Sobrenatural e em alienígenas, vai parar no Arquivo X, uma sessão no porão do FBI aonde crimes sem explicação e insolúveis são encaminhados. Porém suas investigações se aprofundam e a a agente com formação em medicina Dana Scully é encaminhada para ser parceira de Mulder, o motivo, era para que ela, como cética, atuasse como critica as investigações de Mulder. Com o tempo Scully se torna uma importante aliada de Mulder, e após a segunda temporada tem tanta importância quanto ele na trama.

A verdade é que apesar de muito

cética e de no inicio da série isso se tornar inclusive uma espécie de rinha entre “acredito ou não acredito”, ou “isso simplesmente aconteceu” com “com certeza existe uma explicação cientifica para isso”.

O ceticismo de Scully se tornou inclusive motivo para piada na internet, existe até esse vídeo aonde aparece a quantidade de vezes que ela cita e defende a ciência acima de tudo.

Essa diferença entre os dois acaba rendendo bons episódios. Como aquele que é contado a partir do ponto de vista entre um Nerd paranoico, ou aquele que se passa sobre as duas óticas, com as versões de cada agente.

Com o tempo se estabeleceu dois tipos de episodio: a mitologia da série, que contava aos poucos as abduções de Scully, Mulder e da irmã de Mulder, esses episódios envolviam conspirações do governo para esconder uma invasão alienígena. Os planos do governo era criar uma raça de humanos escravos dos aliens.

E os episódios avulsos, que são aleatórios e envolvem forças sobrenaturais entre outras coisas. Alguns destes episódios são desastrosos, outros tem ótimos roteiros dignos de prêmios como o sindicato dos Roteiristas.

Arquivo X expandiu esse conceito de Coadjuvantes de Twin Peaks, apesar de não ter tantos, conhecemos ao longo da série os Lone  Gun Man, três nerds que escrevem um jornal desmascarando as conspirações do governo. Walter Skinner, Assistente do Diretor, que aos poucos se torna um aliado de Mulder. O Câncer Man, talvez um dos maiores vilões em que já vi em séries.

Esse desenvolvimento de personagens secundários eu posso ver espelhado em Lost,  com ótimos coadjuvantes aonde vamos conhecendo a história deles por meio de flashbacks e flashfowards. Também o grande mistério das abduções e as teorias de conspiração alienígena também estão presentes nos mistérios explicáveis e inexplicáveis da Ilha. Enxergo esses a em outras séries como Fringe, aonde apesar de episódios aleatórios aos poucos vamos conhecendo a mitologia da série, e um plano que ao invés de envolver alienígenas, envolve realidades alternativas.

O que me deixou decepcionado na verdade foi o desenvolvimento da série após o filme que saiu depois da quinta temporada. A partir daí, a não ser pelos episódios avulsos, a série declina muito, tendo um final horrível.

Apesar disso, o saldo todo é positivo e praticamente na sexta-temporada descobrimos quase toda a conspiração e os malvados são praticamente excluídos.

A partir daí é criado uma nova trama, que não é bem fechada e fica sem pé nem cabeça. Após uma temporada inteira fora, Mulder retorna no último episodio do nono ano querendo esconder uma verdade estarrecedora, isso em 2002. Nem a verdade que ele tenta esconder vale a pena no episodio: Essa seria que os alienígenas iriam invadir nosso planeta no final de 2012, assim como Os maias previam o fim do mundo , e esse spoiler, nem dá vontade de evitar escrever.

A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes

novembro 6, 2014

 

Quem acompanha meu blog, sabe que um dos meus escritores favoritos é o Dostoiévski, alguns de meus textos favoritos foram sobre suas obras ou sobre a vida e comportamento do escritor. O último texto, por exemplo, era sobre uma briga épica da literatura mundial, protagonizada por Fiodor e Turgueniev, comparando o viralatismo de Turgueniev com o complexo de vira latas que muitos de nós brasileiros sentimos em relação ao nosso país. Você pode ler o texto aqui.

Um texto aonde linko todos os outros com criticas sobre os livros do autor pode ser encontrado aqui.

Fiz uma promessa no inicio do ano de comentar e criticar quadrinhos e livros que li, infelizmente, não consegui ler tanto quanto queria, quanto mais parar para escrever sobre estes livros e quadrinhos.

Ganhei a A aldeia de Stepántchikovo e seus habitantes tem algum tempo da minha esposa, porém além de demorar para começar a ler é complicado escrever sobre um livro do Dostoiévski, principalmente quando eu tenho o costume de sempre ler sobre o escritor e sobre suas obras, e o pior de tudo é quando tenho obras biográficas do autor, entre elas a rica biografia do Joseph Frank, que além de falar sobre a vida do Dostô, ainda aborda a politica da época  e critica os livros do autor. Para se ter uma ideia, apenas para explicar a discussão entre Turguêniev e Dostoiévski, o autor gastou dezenas e dezenas de páginas explicando os motivos, criticando livros do Turguê, comparando criticas de outros autores com as do próprio Dostô, além de traçar uma biografia deste rival do Dostoiévski.

Pois bem, primeiro, assim como quase todos os outros livros que escrevi sobre Dostô, a Aldeia (vamos abreviar aqui porque o nome é longo), nesta versão que eu li, é da Editora 34. A editora tem feito um ótimo trabalho em publicar textos russos de autores consagrados como este escritor que falo sobre, também sobre Tolstoi, Pushkin, Gogól, entre outros, assim como novos autores, por exemplo, da “Nova Antologia do conto Russo”, aonde traz diversos contos de autores consagrados na literatura Russa, como novos autores, até a data de 1998.

Todos os livros que li da editora 34 tem excelentes trabalhos de ilustradores e artistas plásticos, trabalhos com xilogravura ou até gravura, e no caso de A Aldeia não é diferente, todos que eu li, envolviam ilustrações de excelentes artistas brasileiros ou naturalizados no Brasil, alguns que fizeram o trabalho inspirado em passagens de livros do Dostô, ano passado ou retrasado, visitei na caixa cultural uma exposição de Oswaldo Goeldi, aonde estava exposto as séries de desenhos, gravuras, xilogravuras, etc, do autor, sobre livros do Dostoievski, para conferir as obras do mesmo, acesse aqui.

Nesta edição de a Aldeia, o ilustrador é um veterano, Darel Valença Lins, excelente artista nascido em 1924, confiram a página do Wikipedia dele aqui.

Gostei muito da tradução de Lucas Simone, que também organizou a edição da Nova Antologia do conto Russo, formado em história na USP, é professor da lingua Russa. Jovem, é um folego para os tradutores de livros Russos, tendo em vista que pelas outras edições da Editora 34, temos os excelentes e veteranos tradutores Paulo Bezerra (74 anos), e Boris Schnaiderman (97 anos), além de outros tradutores. Com toda certeza eu não teria começado a ler Dostoiévski sem a maneira brilhante em que eles conseguem expressar e traduzir as expressões e o estilo de narrativa deste autor, para se ter uma ideia, mesmo vários dos livros antigos, antes da Editora 34 começar a publicar autores Russos no mercado, traduziam textos Russos do Inglês, ou seja, era a tradução da tradução.

Enfim, finalmente li a Aldeia, e a primeira coisa que tenho de falar é: gostei muito do livro.

Escrito em 1859, é conhecido como um dos romances siberianos de Dostoiévski, porque foi concebido quando ele ainda era exilado na Sibéria, logo depois que saiu da prisão, para quem não sabe Dostô foi preso e além de ficar um tempo na cadeia depois foi obrigado a trabalhar para o exercito Russo, legalmente ele era proibido de voltar a Rússia, isso aconteceu depois de muito esforço que ele fez, como cartas para generais e para o próprio Czar da época. O fato é que ele foi impedido de escrever no tempo em que ficou preso, e quando viu que contemporâneos que foram presos pelo mesmo motivo estavam publicando textos em revistas e livros, decidiu voltar a ativa.

Pediu para seu irmão que estava na Rússia publicar um texto que ele escreveu quando ainda era preso politico antes de seu julgamento. Sem assinatura do autor, que temia ainda a censura e ser repreendido por escrever, além de ser espionado pela polícia Russa, o texto passou batido na sociedade. Quando publicou de seu primeiro livro, na juventude, Fiodor fez muito sucesso, e ele esperava o mesmo sucesso com o seu retorno literário, porém, as perspectivas eram outras, ele era jovem quando publicou seu primeiro romance, agora era casado, recebia um salário muito baixo, e precisava produzir algo as pressas, então é neste cenário que ele publica o Sonho do Tio, livro que teve uma reação muito inexpressiva na entre os leitores e no qual ninguém comentou. Porém assim ele finalmente recebia um salário digno, com isso trabalhou com maior calma e intensa dedicação, em meio a diversas crises de epilepsia conseguiu parir a Aldeia. E é engraçado que Dostô realmente tinha grandes perspectivas com esse romance, pois ele achava que seria levantado aos céus novamente como com o seu primeiro livr, porém Belinski, principal critico responsável por dar aquele hype no inicio de carreira do autor estava morto, e antes de morrer fez questão de anunciar que havia se enganado quanto o talento do escritor.

A Aldeia teve muita dificuldade para ser publicada, além de ter editores que enrolaram para decidir se iriam colocar em suas revistas ou não, um deles que havia dado um adiantamento para o escritor pediu o dinheiro de volta, pois não gostou do resultado, depois de alguns meses ele finalmente foi publicado em uma revista, e a critica foi muito forte quanto a história, pois além de criticar contemporâneos que eram excelentes escritores, além de satirizar Gogól na figura de Formá Formitch, ainda foi criticado por seus principais aliados, o setor progressista que tentava libertar os servos, para se ter uma ideia, Formá Formitch que era uma espécie de bufão (termo que pode ser comparado a bobo da corte), tentava ensinar no livro conceitos de literatura, astronomia e ciências aos servos. Da maneira que fica exposto, pode abrir uma margem de erro de interpretação ao setor mais progressista da sociedade Russa que Dostoievski estava satirizando a burrice dos Servos, quando estava mais para satirizar o tipo ridículo do intelectual na época, que vemos até nos dias de hoje, aonde tenta ensinar algo para pessoas que não tem o minimo interesse.

Enfim, apesar de não ser o narrador, Formá é o principal personagem do livro, isso pode não ficar muito exposto, mas a maneira que é criado o personagem, de forma brilhante, fez com que “Formá” se torna-se uma designação para bufão, bobo da corte, palhaço, entre outras, na Rússia e é utilizado até nos dias de hoje para designar esse tipo  de gente, mas para entender melhor, deixe-me explicar:

A primeira parte do livro, demasiada extensa, contém o narrador, sobrinho de um Coronel que é dono da Aldeia, contando que recebeu uma carta de seu tio, ele narra todo o drama psicológico de seu tio, da mãe de seu tio, do ex-marido de sua tia avó, contando basicamente que seu tio era um ser que não conseguia colocar a culpa nos outros, que era ignorante em temas de ciência e cultura, que qualquer um poderia facilmente subir nas costas dele. Quanto a sua tia-vó, logo de inicio é mostrado o desprezo que o narrador sente pela velha, e não é por exagero: casada com um General, que no inicio do livro já era falecido, a velha se muda para a casa do tio da narrador, levando todos seus animais, criadas, etc. Tirana, egoísta, exagerada, vê em Formá Formitch uma espécie de amor platônico, Formá, era criado do General, e sofria na mão do velho, como sofreu a vida toda. Acadêmico e culto, além de ter publicado textos, nunca conseguiu dinheiro por não ter origem nobre, acaba se tornando uma espécie de monge para a Generala quando o velho morre. Fazia previsões do futuro, dava verdadeiros exemplos de sua cultura, entre outros, consegue se instalar na casa do Coronel de maneira na qual, acaba subindo nas costas dele.

Nesta carta o narrador descobre o desespero de seu tio, que está tentando ludibriar que seu sobrinho se case com a governanta de sua casa, o sobrinho detecta que tem algo de estranho no texto e no caminho para a Aldeia, conforme se encontra com pessoas que vinham de lá, aos poucos vai descobrindo as histórias de Formá.

O livro se torna muito interessante e encantador quando o narrador chega na Aldeia e se depara com as figuras pitorescas. Vale observar que nas quase 400 páginas, Dostoiévski construiu personagens dinâmicos, únicos até então na literatura. E fica evidente sua qualidade na narrativa quando consegue desenvolver em um curto espaço de tempo todas as ações e toda a humanidade de seus personagens, e essa característica é inegável pois estará em outros de seus maiores romances.

Quanto as criticas que ele recebeu, vale observar que ele estava fora do cenário social da Rússia, ele apareceu com um livro cômico quando a Rússia estava lidando com questões séries como a liberação dos servos, mesmo com o livro considerado uma comédia, dá para perceber nos diálogos e nas histórias dos personagens um pouco do sufoco que o autor passava, além das crises epiléticas e da depressão profunda que ele sofria. Não foi bem recebido pela critica, principalmente porque alguns dos escritores e donos de publicações da época foram parodiados no livro.

Enfim, desta vez não tive aquela sensação que descrevi antes, que a cada livro deste autor que leio tenho a impressão de ser o melhor livro que li na vida, mas recomendo a todos que querem conhecer os dois lados do autor (antes de ser preso, e depois de ser preso), e acompanhar com leituras como Pobre Gente e O Idiota, e perceber como prisões, crises de epilepsia, mortes de entes queridos, dívidas excessivas, podem ajudar a moldar um dos maiores escritores de todos os tempos.

Este ano está muito louco, querida.

novembro 4, 2014

Eleições, copa do mundo, protestos golpistas, de direita, de esquerda. Este ano pode entrar para a história.

Para começar, finalmente me formei na faculdade, em Redes de Computadores, isso foi em Setembro, há dois meses atrás.

Sei que prometi atualizar o blog logo ao acabar a faculdade, mas ai apareceram outras responsabilidades e uma tonelada de textos para ler.

Ouso dizer que este ano li poucos livros, mas muitos artigos, textos e relatos pela internet, enfim acabei me envolvendo em política ativamente e acabei me tornando um “Petralha”. Termo que finalmente foi abraçado pelo Partido dos Trabalhadores, apesar de eu não me considerar Petista, defendo o governo e o critico no que acho necessário. E geralmente o que eu acho necessário vai contra o que o senso comum critica o Petê.

Por exemplo: Pessoas querem que o Governo abaixe a maioridade penal, diminua os impostos, o senso comum ataca o mensalão como o mal supremo na história política, o que se você fazer qualquer pesquisa, vai chegar a conclusão de que muito longe disso, o mensalão só se encaixa como caixa 2 nas corrupções. É diferente daquelas praticadas pelo DEM, pelo PSDB, como os Trensalões, os Aeroportos, Banestado, entre outros.

Eu me lembro quando estudava no Vilela Junior, escola que estudei do ensino fundamental ao ensino médio, e logo no ano 2000, no dia seguinte as eleições para prefeito, uma professora minha, a Dirceia, entrou na sala com uma camisa vermelha celebrando a vitória do PT na região, o jornal que ela trouxe, e deu pulinhos de felicidade para mostrar a uma amiga dela, que era professora, trazia na manchete de capa “PT VENCE NO BRASIL INTEIRO” A capa do jornal, mostrava candidatos do PT que venceram as eleições em diversas cidades do Brasil, em Campinas, havia vencido o Toninho, do PT, 8 meses depois de assumir, Toninho foi assassinado, na data de 10 de Setembro de 2001, bizarramente, poucas horas antes de 11 de Setembro, as noticias de sua morte por conta do atentado terrorista no World Trade Center sempre me deixou com a pulga atrás da orelha, pois era uma situação muito bizarra. O prefeito investigava e estava tentando punir severamente traficantes em Campinas, além de baixar custos com licitações na cidade em 40%, além de desapropriar casas ao redor do aeroporto santos Dumont, entre outras coisas, era considerado promissor na prefeitura. Um ano depois, o Prefeito de Santo André, que também era do PT, chamado Celso Daniel foi sequestrado e encontrado dias depois com 11 tiros.

Alguns anos, temos o mensalão, sendo taxado de como maior caso de corrupção na história do país. Comecei a ficar encabulado com a exposição do Partido dos Trabalhadores, com uma pesquisa, vi que tudo era lorota da mídia e que o Mensalão esta longe de ser o maior caso de corrupção na história do Brasil,  e o livro “A outra história do Mensalão” está aí para debater isso.

Aécio Neves falou no ultimo debate, na Rede Globo, que a maior medida para acabar com a corrupção que poderia fazer seria tirar o PT do poder.

Esse é justamente o tipo de coisa que o pessoal que foi protestar pelo Impeatchment da Dilma quer escutar: uma frase de efeito, pensada apenas para causar impacto, mas que não vai nem de longe chegar perto de acabar com a corrupção no país. A melhor maneira de se acabar com o jogo politico no país é com uma reforma politica, não só a defendida pelo PT, mas ampla. Sem isso, a corrupção não vai diminuir nunca.

Um exemplo de como funciona a corrupção no país fica claro com esse relato da Marilena Chauí:

Acho qualquer manifestação válida, o problema é quando as pessoas começam a cometer atos facistas nas manifestações, inclusive indo armados nelas, como o filho do Bolsonaro em SP.

“Ah mas se você é de esquerda tem que ser a favor do PSOL, partido de esquerda de verdade, etc, etc, etc.”

Realmente, mas não, obrigado, respeito e gosto dos políticos do PSOL, e votaria sim neles, como já votei anteriormente, mas independe do partido, e sim das propostas e das historias de luta de cada candidato, só defendo e voto também no PT, no PCdoB e em quem mais crer que possa trazer progresso.

 

 

 

 

agosto 28, 2014

Meus queridos, minhas queridas, meu último post foi há quase dois meses.

Sinto ter abandonado a todos, porém, estou em meu último período de faculdade, o que acarretou em pouquíssimo tempo para elaborar posts, já que tenho os projetos de conclusão de curso para entregar até semana que vem.

Mas tem muito o que escrever, do quadrinho da Capitã Marvel que está dando o que falar, a quadrinhos que tenho adquirido nesse meio tempo, como Playboy de Chester Brown, alguns da Editora Nemo, e também, é claro, livros, li Bukowski e Dostoievski nesse meio tempo e ambos os livros dariam ótimos posts.

Enfim, daqui uma semana, devo atualizar este blog com mais coisas bacanas.

Zine XXX

julho 9, 2014

zine

Faz quase um ano que o Zine XXX foi anunciado na plataforma catarse, um site aonde podemos cadastrar projetos para receber colaboração, e com isso, viabilizar projetos que não teriam êxito comercial.

Assim, documentários, livros e quadrinhos estão aparecendo no Catarse, eu apoiei um projeto do Mutarelli que teve sucesso e ultrapassou expectativas. O mesmo ocorreu com o Zine XXX, que precisava de 11.000 Reais para viabilizar o projeto. Diferente do Mutarelli, o Zine XXX era feito por diversas artistas mulheres, o que é ótimo. O projeto foi um sucesso e ultrapassou a quantidade que foi pedida, chegando a ultrapassar vinte mil reais.
Com isso o zine ganhou impressões em inglês para ser vendido lá fora, além de maiores brindes para quem comprou o mesmo.

O Zine foi editado pelo Librecoletivo, pela batuta de Beatriz Lopes e Coeditado por Diego Sanchez, a impressão e a qualidade do material está ótima, ficou muito acima dos Zines que encontramos por aí. A organização também estava ótima, com nomes das quadrinistas que participaram no projeto de cada zine ao final, com as páginas aonde podemos encontrar o trabalho de cada uma ao lado do nome.

Seguindo o tipo de padrão de zine com histórias aleatórias, temos histórias interessantes, pessoais, femininas e acima de tudo prevalece temáticas feministas, principalmente depois do terceiro zine para o último que é o quinto. Padrão de beleza, aborto, sexualidade e o direito sobre o corpo é apresentado com histórias bem construídas, apesar disso, algumas poucas histórias aleatórias sem pé nem cabeça estão presentes também nas edições do zine. Mas isso faz parte, o experimental existe no quadrinho para ousar, sem ele, não teríamos grandes obras neste meio. Descarto algumas autoras que me identifiquei com a história, e principalmente, porque gostei da arte e do roteiro em suas histórias: Samanta Floor com a história Dani, Cynthia B., com os lábios pendentes, Laura Lannes, estas três presentes entre nos primeiros dois volumes, já no volume três temos uma mudança no formato do Zine, este sendo deitado e com diversas tirinhas do tipo que estamos acostumados nos jornais, neste volume me identifico com diversos quadrinhos das autoras, entre eles Beatriz Lopes. Os outros dois restantes têm diversos quadrinhos bons, como a maneira do aborto ser abordado por Lovelove6, que também assina a capa do volume quatro dos zines, que em minha opinião, é a melhor capa, nesta mesma edição vale dar uma conferida nas histórias de Janaina Esmeraldo e Jessica Kianne.

Apesar de ter outras boas histórias, o zine também apresenta outras sem sentido, o que faz cair um pouco a qualidade do mesmo, mas quanto isso não há muito o que fazer, a definição de Zine não é ser algo de qualidade, muito pelo contrário.

Apesar de elogiar bastante a parte artística do projeto, é necessário um puxão de orelha no pessoal da organização, pois houve um atraso imenso na entrega dos zines, para se ter uma ideia, esse projeto foi finalizado no dia quatorze de novembro do ano passado, mas só foi entregado depois de Março. Quando colaborei eu ainda trabalhava em uma empresa na qual saí, então nem mudei meu endereço de entrega, só pude pegar bem depois quando me avisaram na própria empresa que foi entregue. Quem foi buscar no evento do Rio de Janeiro, no bar hipsterzinho chamado Comuna, reclamou da falta de atenção com quem colaborou com o projeto, inclusive, que qualquer um que chegasse lá poderia conseguir o zine sem nem mostrar comprovante de pagamento, enfim, aparentemente o sucesso do projeto foi tanto que teve zines para dar e vender.

Interessante que agora temos mais dois projetos envolvendo mulheres e quadrinhos, o primeiro é a arrecadação para o primeiro encontro da Lady’s Comics, site dedicado ao quadrinho feito por mulheres pioneiro no Brasil nesse assunto. O link para colaborar é este aqui: http://www.catarse.me/pt/ladyscomics, o destaque fica para oficinas com Chiquinha, LoveLove6, entre diversos debates com quadrinistas que estão mudando essa maravilhosa arte no Brasil. Ah, o evento ocorrerá em Belo Horizonte.

Já o Mulheres nos quadrinhos é uma page do facebook que também está lançando agora dois livros com participação de mulheres artistas, o objetivo do projeto é chegar 15 mil reais, sendo que tem diversas autoras interessantes envolvidas, segue o link para o projeto: http://www.catarse.me/pt/mulheresnosquadrinhos.

Você pode ler outra opinião aqui.

 

Bolland Strips!

junho 27, 2014

Bolland-strips

Brian Bolland é um artista incrível. Sem dúvidas, ele é um adicional aos quadrinhos.

Seus desenhos realistas foram um imenso sucesso, principalmente após a publicação de Batman, A Piada Mortal, minha história favorita do Homem-Morcego, aonde a insanidade do Coringa é levada a um patamar nunca visto nas histórias do personagem. Sua influencia é tanto, que as mudanças inseridas na história refletem até os dias de hoje, personagens que sofreram mudanças drásticas estão com essa mudança até os dias de hoje.

Apesar de sua exposição com a história, o autor produziu histórias focadas em revistas Inglesas, como Camelot 3000 e Juiz Dredd.

Não pretendo analisar todo seu trabalho, apenas fazer algumas observações sobre a publicação no Brasil, pela Editora Nemo de Bolland Strips! Um quadrinho de luxo que reúne histórias pessoais do autor, aonde além de desenhar também as escreve.

O artista quando escreve, tem uma tendência única a quebrar barreiras dos quadrinhos, a valorizar sua arte ou a fazer histórias mais simples, aonde consiga expressar o que pensa sobre determinado assunto.

Apesar de gostar muito da arte de Bolland, não simpatizei muito com as histórias contidas no álbum da Atriz e o Bispo, talvez por se tratar de poemas, não sei, isso é algo pessoal.

Já nas histórias do Mr. Mamoulian é aonde Bolland desenvolveu um personagem singular, único, cheio de referencias as coisas menos underground que o artista pudera pensar. Ele diz logo na introdução: “Alguém me disse que desenhar uma página de quadrinhos deveria ser tão fácil quanto escrever uma carta a um amigo. Então foi o que fiz”.  Com uma história linear, que quebra diversas vezes a lógica da história, apresentando, por exemplo, um “verdadeiro autor” das tirinhas, como personagem, ou desviando o foco da história para apresentar observações do artista, como as geniais histórias de uma página “Tenha um bom dia” e a “Amarrada” nos faz refletir sobre nosso papel no mundo e sobre algemas invisíveis que criamos para nós mesmos, o interessante é que em ambas as histórias o personagem aparece lendo o texto em uma revista ou livro. Além disso, é apresentado diversos conceitos filosóficos ou sociais, além de personagens feministas, espiões, robôs alienígenas e um misterioso elefante, segue as duas páginas em inglês com a tradução embaixo:

Tenha um bom dia.

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“Na virada do Século, no Turguestão Chinês, alguém que visitasse a cidade de Urumqi poderia ver em uso uma jaula inteligentemente criada, chamada de Kapas.

A vitima dessa forma de execução particularmente cruel era encarcerada dentro da jaula com a cabeça para fora, presa firmemente pelo pescoço. Seus pés apoiados em uma tábua de madeira.

A cada dia a madeira era abaixada um pouco para que a vítima fosse tendo que ficar na ponta dos pés para aliviar a pressão do pescoço. No sétimo ou oitavo dia, não conseguindo mais alcançar a tábua, o pescoço da vítima se quebrava.

As Kapas eram sempre cercadas de vendedores cujo lucro era aumentado pelos que vinham ouvir os choramingos e a agonia prolongada do homem condenado.”

“Na América, durante a escravatura, o homem podia ser punido tendo que usar um colar de espinhos de metal. Dos oitos espinhos saindo do colar, quatro eram apontados para baixo e quatro para cima, cada um curvado em direção ao seu usuário e a centimetros de seu corpo.

Enquanto usava aquilo, a vítima não conseguia dormir e, exausta como ficava, não conseguia relaxar a cabeça, ou os espinhos entrariam no rosto, peito e etc.

Tenha um bom dia”.

 

Amarrada

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“Esta mulher foi amarrada.

Foi Amarrada pelo famoso artista surrealista Man Ray (1890-1976). Presumivelmente, ela concordou em ser amarrada.

Talvez tenha sido enganada para pensar que isso é ARTE. Quem sabe?

Ela desistiu de sua liberdade de movimento. Desistiu de sua dignidade. Desistiu da responsabilidade por si mesma. Desistiu de tudo.

Nós dois, por outro lado, não estamos amarrados nus com tiras de couro. Somos livres. Para nos movermos o quanto quisermos com dignidade e responsabilidade.

Livres para acordar todas as manhãs às 7H com o som do despertador. Livres para nos espremermos no metrô embaixo da terra, juntos de milhares de pessoas livres para fazer o mesmo.

Livres para deixar outras pessoas tomarem nossas decisões por nós. Livres para nos fecharmos em caixas de concreto. Livres para restringir qualquer atividade que comprometa nossa dignidade ou ameace a ordem que une a sociedade.

Liberdade é uma noção aterrorizante. O que realmente queremos é sermos liberados de tomar decisões. Resgatados de debaixo do peso de nossa própria dignidade. Queremos nos prender à roda da ordem social. Prender os pés e as mãos. Nus. Livres de responsabilidade e de dignidade. Livres até mesmo de ter que se mexer. Realmente livres!

-Quer que eu o amarre?

Quê? Deus, não!

-Você quer me amarrar?

Não, claro que não! Estou tentando mostrar o objetivo filosófico disso.

-Então porque esta me mostrando essa merda sexista e pornográfica?

-…você não está entendendo a questão, de propósito…”

 

Um exemplo de como o vira latismo não é algo exclusivo dos brasileiros.

junho 17, 2014

Dostoyevsky_in_prisonComplexo de vira-lata é a expressão criada por Nelson Rodrigues, utilizada para descrever o pessoal que inferioriza nosso país e que sonha em ir até Miami comprar Iphone e Playstation quatro. Mas o que temos de saber é que esse complexo não é algo restrito aos brasileiros, como podemos ver em uma matéria recente no site UOL,  onde gringos que estão no país por causa da copa apontam que nossos defeitos não são únicos, existe tanto transito aqui quanto em Londres ou em Tóquio, por exemplo.

Em 1867, Turgueniev publicava o livro “Fumaças”, aonde criticava fortemente seu país de origem, a Rússia. Segundo Turgeniev, os Russos não tinham nada de original, como cita no livro por meio do protagonista “o samovar, os sapatos de entrecasca de madeira, o bridão e o chicote – são esses nossos produtos mais famosos – não foram inventados por nós”, há também outra citação, ainda mais polemica e na qual Turgueniev diz ser a frase que resume seu livro, quando o personagem principal diz que “se a Rússia desaparecesse de repente da face da terra, com tudo que ela criou, não tiraria do lugar uma única unha do planeta terra”.  Esse tipo de descrição era muito comum do Turgeniev. Na juventude, quando era amigo de Dostoievski, disse que o autor era a “espinha no nariz da literatura Russa”, isso porque ambos haviam ficado amigos por causa do circulo de literatura, arte e politica que se encontravam na casa do critico Belinski. Tudo porque Dostoievski, que viera em sua época foi um dos poucos escritores provenientes de família pobre, conseguiu alavancar um sucesso tremendo com seu romance de estreia, “Pobre Gente”, que foi muito bem criticado por Belinski, uma espécie de guru literário da época.

Turgueniev

Turgueniev

O tempo passou, e a amizade dos dois voltou a ficar forte, principalmente depois que Fiodor passou anos na Sibéria preso e voltou à Rússia, aonde mesmo sem ter muito dinheiro fundou com seu irmão à revista literária “O tempo”. Dostoievski pediu então uma colaboração de Turgeniev que atendeu o seu chamado, infelizmente, a revista O tempo foi fechada pela censura imposta pelo Czar.

Dostoievski então guardou o texto de Turgeniev e meses depois o lançou em uma revista chamada “Época”.

O tempo passou e Dostoievski perdeu sua esposa e seu irmão, o que deixou diversas despesas para o escritor, pois além de sustentar o filho de sua esposa também sustentou a família de seu irmão. Com as dividas da revista e tendo que fazer o trabalho editorial sozinho, não restou alternativa senão fechar a revista.

Assim, seu único método de sustento era escrever. E Dostoievski escreveu. Com diversos problemas econômicos, se esforçou para entregar “O Jogador” para um editor de livros, o prazo quando começou a escrever era de um mês. Ao mesmo tempo, escreveu “Crime e Castigo”. Com o tempo correndo, foi necessário contratar uma estenografa, foi ai que conheceu Anna, sua futura esposa.

Quando fugiu da Rússia devido à quantidade cada vez maior de credores e dividas que estava obrigado a pagar, viajou pela Europa, em países como Itália e Alemanha.

Foi neste cenário, que reencontrou Turgueniev em Baden Baden, o autor de Pais e Filhos estava recebendo diversas criticas negativas na Rússia, inclusive de amigos próximos, por ter escrito A Fumaça e também pelo romance Pais e Filhos, e Dostoievski estava mais miserável do que nunca, pois contraiu um vicio em jogos, gastando assim todo dinheiro que ganhava e penhorando bens de sua família, sua esposa estava grávida e o casal era tão pobre neste período que conseguiram apenas alugar um apartamento pequeno que ficava em cima de um ferreiro que começava a trabalhar às cinco horas da manhã.

Após ter sido avistado por Turgueniev, Dostoievski decidiu visitar o amigo, até porque ele devia ao escritor 50 rublos e queria negociar o pagamento.

Em contrapartida ao complexo de vira lata que sofria Turgueniev, Dostoievski amava e muito a Rússia, o futuro autor de Irmãos Karamazov odiava ter de passar tanto tempo longe do país. Em seu tempo na prisão amadureceu o sentimento de patriotismo, e nesta época Dostoievski já previa que a Rússia iria dominar o mundo, pretendia voltar o quanto antes para seu país natal, pois não queria criar seu futuro filho “longe dos costumes russos”.

Deste encontro entre os dois, saíram duas versões. A primeira contada no diário de Ana, na mesma noite em que Dostoievski voltou de seu encontro com Turgueniev, e a segunda versão na qual Dostoievski este encontro ao seu amigo e poeta Apolon Maikov.

No diário de Ana, há uma versão muito mais amena que a da carta destinada a Maikov. Em seu diário, Ana conta que o encontro entre os dois escritores teve um resultado muito mais ameno que o normal, talvez Dostoievski tenha sido mais leve ao descrever os fatos. Uma alternativa levantada pelo biografo de Dostoievski, Joseph Frank, seria a de que essa declaração teria a ver com a situação econômica desesperadora que vivia o casal.  Outra observação da mesma era a de que Dostoievski, ao chegar com algum dinheiro ganhado da roleta, seria importante, pois não seria necessário procurar Turgeniev para pedir emprestado algum dinheiro, segundo Joseph Frank, essa observação seria importante, pois mostra que Ana ainda tinha esperanças para a possibilidade de apelar para Turgueniev caso o casal ficasse sem dinheiro.

Mas como briga com final ameno não tem graça, vamos à versão escrita por Dostoievski, portanto feito pelos punhos de quem presenciou os fatos, na qual o encontro dos dois escritores terminou de maneira dura e amarga.

Mais detalhada que o diário de Ana, a carta de Dostoievski começa com “Vou lhe dizer com franqueza: mesmo antes disso [a visita obrigatória] eu não gostava do homem pessoalmente”. O sentimento envolvendo Turgueniev se agravou, por não conseguir pagar o empréstimo que tomou, para piorar, Dostoievski se queixa do comprimento aristocrático do poeta, dizendo que ele tem “ares horríveis de um general”.

Para se ter uma ideia, o desgosto de Dostoievski pelos métodos aristocráticos de Turgueniev cresceu de tal maneira, que o escritor criou um personagem no livro “Os Demônios”, chamado Karmazinov, aonde a descrição batia com os métodos de Ivan.

Ainda no inicio, Dostoievski diz que “o livro fumaça me irritava”.

Apesar de querer evitar o assunto, Turgueniev empurrou a conversa para falar sobre A fumaça, segundo o diário de Ana, “falou o tempo todo de seu novo romance, Fiodór nem sequer chegou a mencioná-lo”, já no meio da conversa, Turgueniev diz que “a principal tese do livro, estava na fala do personagem principal Potúguin ‘se a Rússia desaparecesse, não havia qualquer perda ou agitação na humanidade”. Apontando logo em seguida a reação negativa que seu livro despertou.

Dostoievski, diz na carta a Maikov, repetindo sua primeira linha “Eu não sabia, que ele fora atacado e em um clube em Moscou, acho, as pessoas estavam coletando assinaturas para protestas contra o seu Fumaça. Confesso a você que eu nunca teria imaginado que alguém pudesse expor suas feridas à sua vaidade com tanta ingenuidade e inabilidade como faz Turgueniev”.

Após expor as criticas negativas de seu livro na Rússia, a conversa foi para o lado dos debates culturais envolvendo os ocidentalistas e os esváfilos, segundo Dostoievski, em sua carta a Maikov: “Ele criticou a Rússia e os russos de forma monstruosa, horrível…” Ele cita logo depois “Turgueniev nos disse que devamos nos arrastar diante dos alemães e que todas as tentativas de russidade e de independência são uma bestialidade e uma estupidez”, logo após, observou que “estava escrevendo um longo artigo contra os russófilos e os eslavófilos” foi quando Dostoievski fez a réplica mais citada entre esta discussão entre os dois, o escritor de crime e castigo disse: “Aconselhei-o, por conveniência a mandar vir um telescópio de Paris. ‘Para quê? ’ perguntou. ‘É longe daqui’, respondi. ‘Focalize seu telescópio na Rússia e nos examine, porque de outra maneira é difícil nos entender’”. Com essa resposta, Dostoievski expos que o exilio auto-imposto de Turgueniev o afastou da realidade russa e na qual seu talento havia se perdido com esse afastamento.  Com o sarcasmo de Dostoievski, Turgueniev ficou zangado, por outro lado, Dostoievski tentou diminuir o stress da conversa de ambos, dizendo “Mas eu realmente não esperava toda essa critica a você e ao fracasso de fumaça, o irritasse tanto; por Deus, não vale a pena, esqueça tudo isso”.  Em resposta, teve a fala: “mas eu não estou irritado de jeito nenhum. O que você quer dizer?”, fez com que Dostoievski mudasse de assunto, aonde finalmente pegou o chapéu para sair, mas antes de partir, não se conteve, e “por algum motivo, absolutamente sem intenção, disse o que em três meses eu vinha acumulado em minha alma sobre os alemães”.  No diário de sua esposa, Ana, sabemos que o escritor de Os Demônios, vinha acumulando um ódio com os modos dos alemães sem poder descarregar a ninguém, no final, explodiu a uma crítica aos alemães os chamando de “patifes, escroques, muito piores e desonestos do que nós (os russos)”. Comentou, aproveitando as questões socioculturais que debatiam: “Você está aqui falando da civilização, pois bem, o que a civilização fez para os alemães e como eles podem vangloriar-se de ser muito superiores a nós?”, as palavras de Dostoievski fez com que Turgueniev ficasse pálido, na qual disse: “Falando assim você me ofende pessoalmente. Você sabia que eu me estabeleci aqui permanentemente, que me considero um alemão, e não um russo, e tenho orgulho disso!” Assim, Dostoievski disse que embora tenha lido a fumaça, não espera que Turgieniev dissesse isso, assim, se desculpou e saiu de casa. No dia seguinte, apesar de ter sido avistado no dia seguinte pelo escritor, recebeu um cartão do mesmo.

A descrição dessa discussão envolvendo estes dois escritores, repercutiu o mundo da literatura Russa, por envolver dois dos maiores escritores de todos os tempos, ainda hoje, se torna atual, reflete em muito o complexo de vira-lata, pois os sentimentos, o argumento de Turgueniev se encaixa perfeitamente aos dias atuais, da mesma maneira em que Dostoievski se tornou um patriota intenso pela Rússia, escrevendo cartas ao Czar, dizendo o quanto amava a pátria, de dois ex-conspiradores de esquerda, se tornaram no meio de sua vida em bonachões defendendo ideias fúteis, e a isso meus amigos, não existe maior arrependimento.

O horror de Dunwich.

junho 10, 2014

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A editora Hedra tem feito um belo trabalho ao publicar livros do Lovecraft no Brasil, além de autores Russos como Dostoievski. Seus livros estão com ótimas traduções e acabamentos melhores ainda. É uma boa pedida para quem não pode gastar com livros imensos, pois boa parte de sua produção é voltada para livros de bolso, sendo de uma qualidade superior aos da LPM e Martin Claret da vida, que enquanto um peca em tradução o outro que peca tanto em tradução quanto na qualidade final do produto.

Há algum tempo escrevi aqui, que adquiri diversos livros com contos e novelas do Lovecraft diretamente do site da Hedra, que aliás sempre da descontos (confira o site da editora aqui ) Esses dos quais eu devorei em semanas, prometi que escreveria mais sobre esses livros, e depois do Chamado de Chthullu é a vez de o Horror de Dunwich, talvez um dos meus favoritos do autor até agora (se prepara que eu devo dizer isso sobre todos os livros).

Lovecraft é o mestre em histórias diretas, pequenas, sem frescura e com descrições precisas quando necessário. Tudo que o autor produziu não poderia ter o mesmo impacto se fosse escrito de outra maneira. A síntese de sua obra são todos seus contos e suas novelas. Mesmo uma novela com pouco mais de cem páginas, o Horror de Dunwich é de um suspense e terror impressionante.

Diferente do que estamos habituados em suas histórias, dessa vez a narrativa não parte de um dos personagens centrais da trama, e sim de um espectador que talvez tenha morado na pequena cidade de Dunwich.

Quando afirmamos que Lovecraft inspirou diversos autores, como Neil Gaiman, Stephen King e Alan Moore, é em livros como este que este fato fica claro. No inicio da narrativa, com toda a descrição da pequena vila de Dunwich que acompanhamos pelas palavras não fica difícil de imaginar cena após cena, como o casal perdido na estrada, que cruza as figuras bizarras e a paisagem decadente da cidade, o que foi vivenciado nela apenas contribui para que nossa curiosidade fique ainda maior, e logo após toda a descrição chega a hora de partir para a história em si.

Nela, vivenciamos o nascimento de Wilbur Whateley, filho de Lavinia Whateley, da qual ninguem conhece o pai da criança. Com feições de bode e pele morena, chama a atenção de todo o vilarejo por seu desenvolvimento fora do comum, crescendo e envelhecendo antes dos garotos que tem sua mesma idade, o vilarejo morre de medo da família Whateley, pois eles são conhecidos por fazer rituais estranhos no alto da colina, aonde diversos barulhos podem ser escutados no meio da escuridão, a todos deste pequeno Vilarejo chama a atenção o ódio mortal que os cães sentem por Wilbur.

Logo fica claro o envolvimento da família Whateley com o oculto, pois além das diversas descrições dos acontecimentos estranhos que envolvem os Whateley há o fato do avô de Wilbur possuir diversos livros ocultistas, entre eles o famoso Necronomicon, que por sinal tem diversos trechos divulgados nesta novela de Lovecraft, tornando esta obra peça fundamental para o entendimento da mitologia do autor.

A partir daí, acompanhamos a busca do jovem Wilbur por uma versão completa de Necronomicon, pois a do avô é incompleta, enquanto isso, eventos estranhos começam a ocorrer na pequena cidade de Dunwich, acompanhamos o ponto de vista de diversos moradores do vilarejo, e vale o destaque no trabalho feito por Lovecraft na linguagem local dos moradores – e consequentemente na tradução de Guilherme da Silva Braga que conseguiu adaptar para o português a linguagem caipira deles.

Destaque também para o trabalho de ambiente que Lovecraft faz, ao inserir pássaros que avisam com terríveis barulhos quando alguém morre na cidade, os barulhos afetam psicologicamente os moradores da cidade, e a descrição destes barulhos afetam os leitores com o terror psicológico criado pelo escritor. Também não tem como evitar as descrições detalhadas que Lovecraft faz das criaturas no livro, apesar de bizarras, ele o faz de uma maneira tão clara e fora da monotonia que imaginar as cenas se torna um exercício fácil, que entretêm o leitor e atiça a curiosidade para ver qual será a próxima cena, criatura ou detalhe que será apresentado nas próximas páginas.

O livro ainda acompanha quatro textos, eles são duas cartas do autor, o texto “O Sabujo” e uma breve história do Necronomicon. Com isso, esse livro se torna importante para o entendimento da mitologia de Cthullu e os outros deuses criados pelo escritor, tudo isso em apenas 106 paginas!

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Do fundo do baú – Nem tão antigo assim: No Heroics.

maio 30, 2014

Queridos amigos e amigas, encontrei esse post que fiz lá no inicio de 2012 para o site nerdice.com

Nele, o primeiro de análise de séries de comédia fora do padrão que mais tarde fiz com Parks & Recreation e Workaholics, além de outras que quero fazer como Orange is the new Black, the It crowd e Flight of th Conchords mas me falta, tempo, segue todo o conteudo do post em sic, como escrevi na época, com todos os erros de concordancia que ainda cometo ou deixei de cometer. Talvez seja impossível encontrar ela nos dias de hoje, mas quem sabe, vale a pena procurar!

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NO HEROICS  é uma série inglesa de humor que teve apenas 6 episodios, uma rápida pesquisa na internetmostra em fontes não muito conclusas que outras temporadas estão a caminhos, um “remake” americano também entrou em produção devido a popularidade da série, porém depois de mais de 2 anos até hoje não vi nenhuma noticia sobre o remake.

Ela teve estréia na mesma época de Heroes, quando assisti pensei que se tratava de uma paródia dessa leva de séries com “super herois”, porém era algo mais divertido, uma paródia de super-heróis, com o diferencial do humor inglês junto a uma pitada de humor negro, a série trata de uma cidade aonde é infestada de super heróis (tipo uma Nova York da Marvel aonde tem centenas de heróis), nela, pegamos carona em quatro super-heróis, porém ao invés de passar o dia a dia ou os passar em situações heróicas como era de esperar, temos como cenário principal um bar aonde os principais heróis da cidade se encontram no “final” da noite (uma espécie de pub), para contar sobre suas frustantes patrulhas, ou seja, tipicos fails heroicos. Ao contrário do que se espera eles não formam juntos uma equipe, e sim atuam sozinhos.

O que não falta são referencias a personagens de quadrinhos, comoExcelsior, uma espécie de Super-Homem, mas neste caso, um herói metido por ser o mais popular entre todos. Eu sugiro esta série não apenas por ser sobre super-heróis, mas sim por conter excelente diálogos. É uma pena que ela ainda ainda não tenha uma segunda temporada ou algo ãdo tipo, pois ela poderia gerar um sucesso, eu sinceramente não consigo imaginar uma remake nos Estados Unidos com essa série, acho que o tipo de humor e as situações não poderiam ser bem adaptadas, tendo as piadas bem mastigadinhas para os americanos entender, a não ser que mudem toda estrutura, coisa não muito comum nestes remakes.

Os quatro personagens principais são:

The Hotness – tem um poder legal, porém é um loser total, sempre dá mancada quando tenta salvar alguém.

Electroclash – controla maquinas, ex-namorada do The Hotness, apesar de ser super heroína não pensa duas vezes antes de usar os poderes para bens próprios.

Timebomb – um herói homossexual, talvez o mais engraçado do grupo e talvez o mais util porem com poder mais inútil, ele pode ver 60 segundos no futuro.

She – Force – Uma mulher dotada de superforça porém com grandes problemas de autoestima.”

 

Dark Horse apresenta.

maio 26, 2014

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Eu me lembro de quando a HQM editora começou a publicar material no Brasil, com tímidos encadernados de WalkingDead, na época com o nome de “Os mortos vivos”, também publicou alguns outros títulos, como Invencível, que é do mesmo criador do Walking Dead, Robert Kirkman. Isso muito antes da série (que eu pretendo voltar a falar logo neste espaço) série sair.

Lembro ainda que após esse período a editora deu uma parada em sua distribuição de HQs, tanto que quando a procura por Walking Dead se tornou maior devido ao inicio da série, era comum ver em fóruns e paginas do facebook o pessoal reclamando da escassez dos quadrinhos, e é aí que a coisa toda ficou interessante, pois indo contra a correnteza que apostava numa falência da editora a mesma conseguiu se reinventar. Relançou os primeiros volumes junto com os novos e começou a publicar outros conteúdos. Uma surpresa que parece ter funcionado, foi a publicação de Walking Dead de forma mensal como as edições saem nos estados unidos, cerca de 20 páginas, assim o leitor brasileiro pode acompanhar a série mensalmente ou se quiser, comprar todos os encadernados, dentre suas outras publicações estão na lista Estranha no Paraíso, de forma irregular e agora, mais uma revista mensal:

Dark Horse apresenta! Para quem não conhece, a Dark Horse é a editora responsável por publicar Hellboy, Sin City, séries da Buffy, Star Wars entre diversas outras publicações, a revista se encontra nos estados unidos em sua terceira encarnação, começou a ser publicada lá em 1986 quando a editora foi fundada, e manteve uma regularidade até 2000, suas edições eram em preto e branco e sua tiragem pequena. Depois foi disponibilizada de forma digital na década passada, a demanda foi tão grande que sua versão impressa não demorou a sair. Após essa grande procura, a HQM lança no Brasil agora histórias sobre o selo da Dark Horse apresenta, o formato lembra muito ao que a Panini fez com as séries da Vertigo, coisa que a editora Pixel fez aqui de uma maneira muito mais eficiente – vale lembrar que até hoje a Panini não republicou Promethea, do Alan Moore.

Nessa primeira edição de Dark Horse Apresenta, há uma grande reunião de historias desenhada e escrita por autores conceituados no mercado, como Richard Corben, Mik
e Mignola, Neal Adams, Paul Chadwick, Howard Chaykin e uma “preview” de merda de Xerxes do Frank Miller, seguido de uma entrevista do autor. O previews é apenas apelido, porque na verdade são apenas 2 páginas do Miller. Se você acompanha meu blog, sabe que não sou o maior fã do cara, mas dá para ver o quanto ele evoluiu de sua arte no Xerxes, parece até uma mistura do que ele fez com Sin City com a sua arte em 300.

O acabamento da revista é ótimo e a qualidade da impressão lembra muito ao da revista pixel media, editora hoje que se dedica a publicar quadrinhos da Luluzinha.

Das histórias, gostei muito do Concreto, um personagem em forma de rocha, só que mais humano que boa parte dos outros heróis que temos por aí.

Vale lembrar que Mignola colaborou diversas vezes com a revista, com histórias curtas de HellBoy e outros de seus personagens, como Lobster Johnson.

Se a iniciativa da HQM der certa (e eu espero que funcione dessa maneira para sempre), vai ser mais uma edição que mensal que valerá o investimento, e vai servir como uma ponte de reparação para os órfãos da Vertigo, publicada no Brasil pela Panini Comics, editora que está se dedicando a publicar mais especiais e encadernados, terminou sua revista mensal no número 51.

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