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Bolland Strips!

junho 27, 2014

Bolland-strips

Brian Bolland é um artista incrível. Sem dúvidas, ele é um adicional aos quadrinhos.

Seus desenhos realistas foram um imenso sucesso, principalmente após a publicação de Batman, A Piada Mortal, minha história favorita do Homem-Morcego, aonde a insanidade do Coringa é levada a um patamar nunca visto nas histórias do personagem. Sua influencia é tanto, que as mudanças inseridas na história refletem até os dias de hoje, personagens que sofreram mudanças drásticas estão com essa mudança até os dias de hoje.

Apesar de sua exposição com a história, o autor produziu histórias focadas em revistas Inglesas, como Camelot 3000 e Juiz Dredd.

Não pretendo analisar todo seu trabalho, apenas fazer algumas observações sobre a publicação no Brasil, pela Editora Nemo de Bolland Strips! Um quadrinho de luxo que reúne histórias pessoais do autor, aonde além de desenhar também as escreve.

O artista quando escreve, tem uma tendência única a quebrar barreiras dos quadrinhos, a valorizar sua arte ou a fazer histórias mais simples, aonde consiga expressar o que pensa sobre determinado assunto.

Apesar de gostar muito da arte de Bolland, não simpatizei muito com as histórias contidas no álbum da Atriz e o Bispo, talvez por se tratar de poemas, não sei, isso é algo pessoal.

Já nas histórias do Mr. Mamoulian é aonde Bolland desenvolveu um personagem singular, único, cheio de referencias as coisas menos underground que o artista pudera pensar. Ele diz logo na introdução: “Alguém me disse que desenhar uma página de quadrinhos deveria ser tão fácil quanto escrever uma carta a um amigo. Então foi o que fiz”.  Com uma história linear, que quebra diversas vezes a lógica da história, apresentando, por exemplo, um “verdadeiro autor” das tirinhas, como personagem, ou desviando o foco da história para apresentar observações do artista, como as geniais histórias de uma página “Tenha um bom dia” e a “Amarrada” nos faz refletir sobre nosso papel no mundo e sobre algemas invisíveis que criamos para nós mesmos, o interessante é que em ambas as histórias o personagem aparece lendo o texto em uma revista ou livro. Além disso, é apresentado diversos conceitos filosóficos ou sociais, além de personagens feministas, espiões, robôs alienígenas e um misterioso elefante, segue as duas páginas em inglês com a tradução embaixo:

Tenha um bom dia.

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“Na virada do Século, no Turguestão Chinês, alguém que visitasse a cidade de Urumqi poderia ver em uso uma jaula inteligentemente criada, chamada de Kapas.

A vitima dessa forma de execução particularmente cruel era encarcerada dentro da jaula com a cabeça para fora, presa firmemente pelo pescoço. Seus pés apoiados em uma tábua de madeira.

A cada dia a madeira era abaixada um pouco para que a vítima fosse tendo que ficar na ponta dos pés para aliviar a pressão do pescoço. No sétimo ou oitavo dia, não conseguindo mais alcançar a tábua, o pescoço da vítima se quebrava.

As Kapas eram sempre cercadas de vendedores cujo lucro era aumentado pelos que vinham ouvir os choramingos e a agonia prolongada do homem condenado.”

“Na América, durante a escravatura, o homem podia ser punido tendo que usar um colar de espinhos de metal. Dos oitos espinhos saindo do colar, quatro eram apontados para baixo e quatro para cima, cada um curvado em direção ao seu usuário e a centimetros de seu corpo.

Enquanto usava aquilo, a vítima não conseguia dormir e, exausta como ficava, não conseguia relaxar a cabeça, ou os espinhos entrariam no rosto, peito e etc.

Tenha um bom dia”.

 

Amarrada

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“Esta mulher foi amarrada.

Foi Amarrada pelo famoso artista surrealista Man Ray (1890-1976). Presumivelmente, ela concordou em ser amarrada.

Talvez tenha sido enganada para pensar que isso é ARTE. Quem sabe?

Ela desistiu de sua liberdade de movimento. Desistiu de sua dignidade. Desistiu da responsabilidade por si mesma. Desistiu de tudo.

Nós dois, por outro lado, não estamos amarrados nus com tiras de couro. Somos livres. Para nos movermos o quanto quisermos com dignidade e responsabilidade.

Livres para acordar todas as manhãs às 7H com o som do despertador. Livres para nos espremermos no metrô embaixo da terra, juntos de milhares de pessoas livres para fazer o mesmo.

Livres para deixar outras pessoas tomarem nossas decisões por nós. Livres para nos fecharmos em caixas de concreto. Livres para restringir qualquer atividade que comprometa nossa dignidade ou ameace a ordem que une a sociedade.

Liberdade é uma noção aterrorizante. O que realmente queremos é sermos liberados de tomar decisões. Resgatados de debaixo do peso de nossa própria dignidade. Queremos nos prender à roda da ordem social. Prender os pés e as mãos. Nus. Livres de responsabilidade e de dignidade. Livres até mesmo de ter que se mexer. Realmente livres!

-Quer que eu o amarre?

Quê? Deus, não!

-Você quer me amarrar?

Não, claro que não! Estou tentando mostrar o objetivo filosófico disso.

-Então porque esta me mostrando essa merda sexista e pornográfica?

-…você não está entendendo a questão, de propósito…”

 

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